O TIRO NO PÉ

Pe. José Neto de França

Não costumo me posicionar politicamente. Mas, como sacerdote, nutricionista integrativo, escritor e criador de conteúdos, também reflito sobre a realidade que nos cerca. Vejo com preocupação os processos contra o ex-presidente Bolsonaro, especialmente os questionamentos sobre a imparcialidade dos julgadores e a proporcionalidade das penas. Justiça exige provas, direito de defesa e equilíbrio… inclusive quando os acusados são pessoas de quem discordamos.

Quando esses princípios parecem ser relativizados, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a produzir consequências políticas. Em vez de encerrar o debate ou reduzir a influência de Bolsonaro, medidas percebidas por seus apoiadores como excessivas podem reforçar a sensação de perseguição e ampliar a mobilização em torno de seu grupo. Politicamente, portanto, o tiro parece ter saído pela culatra: mesmo preso, Bolsonaro elegeu a esposa e os filhos, além de levar Flávio ao segundo turno presidencial. Esse resultado deveria provocar reflexão. Teriam confundido o enfraquecimento de um homem com o desaparecimento das convicções de milhões de brasileiros?

Ao transformar a punição em símbolo de humilhação ou desprezo, seus adversários podem ter contribuído para fortalecer justamente o movimento que pretendiam enfraquecer. A democracia não se sustenta apenas pela aplicação da lei, mas também pela percepção de que ela é aplicada com imparcialidade, proporcionalidade e respeito às garantias de todos. “E agora, José?”… Agora é esperar o dia 25 de outubro e conhecer o placar do segundo tempo. Até lá, talvez seja prudente trocar a certeza absoluta por humildade e reconhecer que decisões judiciais também produzem efeitos sociais e políticos. Ninguém é dono da justiça, da verdade ou do resultado das urnas. A democracia existe para permitir que o povo escolha… inclusive contra aqueles que já se julgavam donos do destino do país.

Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor

Comentários