JÁ PERDEU O VALOR?

Fábio Campos

Embalado com a repercussão da crônica anterior. E o clima de campanha eleitoral, que persiste. Continuemos, com o mesmo tema. A frase interrogativa do título, vem do passado. Na atualidade, provavelmente muito tenha perdido força. Entre os mais velhos, ainda dá para ouvi-la. A pergunta, sempre feita de um eleitor a outro. Via-se aqui, intrinsecamente, a intenção de saber se aquele/aquela, já tinha ido votar. O que fica caracterizado que, para os políticos [que fique claro isso!] um eleitor, num dia de eleição, só teria valor, enquanto não tivesse votado ainda.

TIPOS de ELEITORES. Pelas minhas experiências de cidadão, preste a jubilar como eleitor. Consigo elencar e identificar estes tipos aqui: ELEITOR CANDIDATO: Esse sai de casa, pra votar, com a mulher e os filhos, cumprimenta tudo que encontra: os postes, os lixeiros, e até os cachorros de rua. Alguém tem que tirar uma foto dele fazendo o “v” da vitória, na cabine eleitoral; ELEITOR FILIADO: de ESQUERDA: vai votar com a camisa, boné, ou viseira, do partido, adesivos tem até na testa. Na hora de confirmar lá na cabine grita bem alto: “Fora Facistas!”; ELEITOR de DIREITA: Faz tudo o que o de esquerda faz, só muda a frase: “Fora Comunistas!”; ELEITOR INFIEL: Antes de ir votar procura se encontrar com o máximo de candidatos, a todos vai pedir alguma coisa. E vota naquele que nunca o ajudou em nada.; ELEITOR CORRUPTO: vai fazer tudo o que o infiel faz. Vai votar, e depois procurar outro candidato, dizendo ter votado nele.; ELEITOR REVOLTADO: Está insatisfeito com todos os candidatos. Ele vai votar nulo, para todos cargos.; ELEITOR CONSCIENTE: aquele que não discute, não toma partido, analisa a situação, vê o perfil de cada candidato. E no dia da votação sai de casa, tranquilo exerce seu dever/direito [considera mais um dever, que um direito], e simplesmente aguarda o resultado.

ELEITOR IDOSO: Nesta eleição, com exclusividade, teremos um número maior de pessoas idosas votando. Pelo fato de estar sendo divulgado que a comprovação de votação vai servir para os aposentados, como prova de vida, junto ao instituto de previdência social.

TIPOS de CANDIDATOS. Confesso ter pouco conhecimento nessa área. Porém nada me impede de arriscar alguns palpites. CANDIDATO CONFIANTE: Esse, anda no clima de “Já ganhei!”, vai as ruas, as feiras, as caminhadas, reuniões, comícios, carreatas, adesivaços, motociatas. Abraça todo mundo, sempre com a mesma empolgação, e sorriso no rosto.; CANDIDATO INSEGURO: Só vai a um evento depois que manda checar: se há o público esperado, se tem adversários no local, pondera se podem ocorrer imprevistos, protestos, vaias, ovos podres etc; CANDIDATO TÉCNICO: Este separa a vida pública da privada. Não expõe família, fotos e discursos só com correligionários, não baixa o nível, só fala do que está no programa do partido. Frio e calculista até nos gestos.; CANDIDATO JOVEM: Esse peca pelo excesso de confiança, abraça e beija todo mundo. Terá dia de campanha que voltará pra casa só de cueca.; CANDIDATO EXPERIENTE: É uma mistura de todos os casos anteriores. O diferencial está em conseguir evitar ao máximo os inconvenientes. Afinal, ele sabe o que já passou.

Mais FOLCLORE e Causos da POLÍTICA LOCAL. Dizem, no passado, quando ainda vivíamos no tempo da ditadura militar. Dois irmãos saíram candidatos a deputado estadual. E lá estavam os dois, no mesmo palanque de campanha. No meio do discurso, o primeiro disse: “Eu peço que vocês vote im eu!”. Aí o outro corrigiu: “Não é “im eu”. É nim mim.”. E o primeiro: “Em você não! Im eu!” E não se enrolaram na tapa, por conta da turma do “deixa disso”.

Um determinado ex-prefeito se candidatou a deputado. O locutor da rádio o entrevistando: “-Como o senhor está na zona rural?” “-A zona quebrou, as raparigas foram tudo embora. E a Rural, eu vendi.”.

Tem eleitor que é compulsivo pra pedir. Sobre o que vamos contar, o era. Foi pedir um par de chinelas, pra ir votar. O candidato disse que não tinha. Estava liso. Olhando pro bolso da camisa, o eleitor viu um volume. “O que é isso aí no bolso do senhor?” “–É meu colírio.” Arreganhando o olho com dois dedos, pediu: -Então, pinga aqui!”.

Teve outro, que foi pedir um par de sapatos. O candidato autorizou. Só que ligou pra sapataria recomendando, se o eleitor pedisse número grande, dissesse que só tinha pequeno, e vice-versa. Com tanto que não despachasse. Ao ser perguntado, o pidão disse: “-Tanto faz. Grande, eu completo com papel; pequeno eu corto o bico!”

Teve um que foi pedir, ao candidato, dinheiro pra comprar um caixão de defunto, pra enterrar a sogra. O candidato se desculpou: “-Rapaz a verba de campanha acabou. Infelizmente, não poderei te ajudar.” Então, o pidão arriscou: “-O senhor tem cinco reais?” Curioso o político quis saber: “-Pra que tu quer cinco conto, homem?” “-Pra comprar sal. Dá pelo menos pra salgar a véia.” O eleitor pidão, é assim: não quer, de jeito nenhum, é sair de mãos vazias.

MÚSICA DE CAMPANHA: Hoje em dia, existem produtoras que se especializaram em fazer campanhas eleitorais. Produzir material exclusivo para candidatos. No meu tempo de criança, estudando o curso primário, no Grupo Escolar Padre Francisco Correia [1966-1973]. Uma colega, ali, nas bancas escolares criou uma música para um candidato: “Dia 15 de novembro todo mundo vai votar/ Em Adeildo Nepomuceno para prefeito do lugar/ O meu voto vai ser dele/ Todo mundo vai votar/ Em Adeildo Nepomuceno/ É ele que vai ganhar/ Ô lá, lá o meu voto é dele [bis]/Ô lá, lá ele vai ganhar/ E na prefeitura ele vai entrar.” A menina compositora se tornou intérprete, cantou, participando de comícios. E o candidato? Ganhou a eleição, sim senhor!

SÓ VOTARIA COM A BANDEIRA NACIONAL HASTEADA! Sua Excelência Dr. Otávio Leão Praxedes, atualmente Vice-Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. Este, mui digníssimo magistrado já esteve, de 1987 a 1991 à frente da Comarca do município de Porto de Pedras – AL. À época eu, residia naquela cidade litorânea. E fui convocado para trabalhar de mesário na eleição municipal de 1988. Tudo transcorria na mais completa tranquilidade. De repente, um tumulto na frente da Câmara de vereadores. Um pau d’água, conhecido de todos pelo apelido de “Velho Barreiro”, da fila de eleitores que iam votar proclamou: “-Só voto com a bandeira nacional hasteada!”. O alarido chegaria ao conhecimento do Juiz da Comarca, que interveio, providenciando para que a solicitação do etílico eleitor fosse atendida.

Mudando para nosso assunto predileto. Em minhas crônicas, sempre usei estes termos: dicionário; origem; etimologia; glossário; Latim; Grego; Filologia; Neologismo. Creio que está mais do que na hora de descobrir a origem, de onde vieram?

A palavra dicionário vem do Latim “dictionarium” que significa “coleção de palavras e frases”. Essa etimologia reflete a origem do termo como um repertório de vocabulário e expressões. O primeiro dicionário registrado foi o chinês. Feito por Hou Chin em 150 a. C.
A palavra origem: vem do Latim “origo” que significa início, começo ou fonte. Do verbo latino “oriri” que significa: surgir; aparecer ou nascer.
etimologia: vem de dois termos de origem grega: “étymos = verdadeiro, real e “lógos” = significa “estudo” “discurso” ou “ciência”.
glossário: vem do Latim “glossarium” vem de “glossa” que significa “língua” ou “idioma”; deu origem ao termo “glosas” que serviam para esclarecer o significado de palavras difíceis, raras ou obscuras.
Latim: tudo que se originou da região do Lácio ( Latium) que fica na península Itálica, onde era falado pelos antigos latinos que fundaram a cidade de Roma. “Latinus” “relativo ao Lácio” ou “próprio dos latinos”.
Grego: A palavra vem de “graecus” que vem do grego antigo = Graikos”, que designava habitantes da região da Beócia, primeiros tribos helênicas.
Filologia: O termo vem do grego “philologia” que significa literalmente “amor pela palavra” ou “amor ao estudo e à erudição”.
Neologismo: do grego antigo, vem da união de dois termos: “neós” = “novo” e “lógos” = palavra, discurso ou estudo. Literalmente “palavra nova”.

O QUE É O VOTO? QUAIS TIPOS EXISTEM? Voto é uma manifestação oficial, pela qual um eleitor (no coletivo: o eleitorado) declara a sua preferência, em um processo eleitoral. TIPOS: ÚTIL: Quando a maioria dos eleitores opta por votar, em candidaturas mais expressivas, evitando candidatos de pouca chances reais de vitória; DE EXCLUSÃO: Quando o eleitor escolhe votar num candidato simplesmente pela maior rejeição à alternativa; ESTRATÉGICO: O eleitor vota pensando não apenas na sua preferência, mas na eleição como um todo; IDEOLÓGICO: O eleitor escolhe puramente baseado nas propostas e capacidade técnica do candidato; DE CABRESTO: o eleitor, de modo geral, é obrigado pelos que detém o poder e o domínio dos meios de comunicação, de produção e opinião pública, a votar nos seus candidatos. Prática fundada na “velha república”. Ainda hoje existe nas regiões onde os políticos exercem poder sobre o povo. Os chamados “currais eleitorais”.

REFLEXÃO: o que a palavra “Bodas”, tem a ver com “votos”? Bodas vem do latim “vota” que significa “promessas; no plural = “votum”. Votar portanto significaria literalmente prometer algo. Daí, a denominação “Bodas de casamento”; promessas ou votos feitas pelos nubentes [ os que estão se dando em casamento] nas núpcias.

REFLEXOS OUTROS: Sabe o que significa: LUDOPÉDIO, FORCALE e PRECONÍCIO? Vamos lá: Um professor chamado Castro Lopes que viveu no final do século XIX era avesso ao estrangeirismo, e especial no campo da linguística. Odiava termos como Chouffer [motorista, ou maquinista em francês]; Cabaré [do francês: “casa noturna”] Abajur [ do francês: quebra-luz]. E pioneiro no neologismo [criação de novas palavras] criaria estas: Ludopédio para substituir “Futebol” de origem inglesa; Forcale para substituir “Cachecol” de origem francesa e Precocínio para substituir “Propaganda”do latim “propagare” “espalhar”. Pelo jeito não deu muito certo.

VOCÊ SABIA? “Te amo”. É o erro mais romântico da língua portuguesa, segundo a norma-padrão, não se inicia oração com pronome oblíquo. O mais correto seria dizer: “Amo-te.” ou “Eu te amo”.

UM POUCO DE HUMOR
UM CANDIDATO DISCURSANDO
Prometo se ganhar, dou Sombrinha as mulheres e Capa os homens!

O COMÍCIO
O locutor querendo falar difícil, impressionar no comício rasgou o verbo para apresentar os candidatos: “Hoje nesse palanque temos o que de mais nobre existe em nossa política, candidatos: ESTÓLIDOS [Burro]; Os mais NÉCIOS [Ignorante]; eles irão falar aqui, o que há de mais ESPURCO [imundo] em nosso meio; e são meus amigos, sem sombra de dúvidas grande HISTRIÃO [Mentiroso].

CONTO DE FADAS
O pai colocando a filha pra dormir. Curiosa ela quis saber;
-Pai todas história de trancoso começa com: “Era uma vez...”
-Não filha. Tem umas que começa assim: “Se eu for eleito!...”

BOA VOTAÇÃO!
E VIVA A DEMOCRACIA!

CRÉDITOS: Search copilot; Google.com; Wikipédia.org; Instagram; facebook


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