Olavo Bilac Língua Portuguesa

Antonio Machado



Dentre as joias poéticas brasileiras, destacam-se muitas, porém, existem aquelas que se imortalizaram além do tempo, como por exemplo, Língua Portuguesa do imortal Olavo Bilac, que deixou centenas de sonetos além de outros gêneros poéticos da literatura brasileira, em sendo grande admirador do bardo, resolvi escrever este inolvidável canto da poesia brasileira. Dizem que os poetas não deviam morrer, “poeta é/ quem vê poesia nas flores, / e olha a vida por um caleidoscópio de cores, / poeta é quem tem imaginação/ e sabe que os olhos da alma/ são a janela do coração”. Letra de outro inimitável Adelino Moreira (1918-2002) e musicada magistralmente pela voz inconfundível do grande Nelson Gonçalves (1919-1998), que ainda hoje permanece nas grandes paradas musicais brasileiras.

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura,
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tem o trom e o silvo da procela,
E o arroio da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma,
De virgens selva e de oceano largo,
Amo-te, ó rude e doloroso idioma.

Em que da voz materna ouvir: “meu filho”!
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

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