Na cidade de Santana
Feijão é lavoura farta
Lá tem outra produção
Nasce mais que gato e gata.
Terra de Poeta e João
Se esparrama pelo chão
Que nem Deus criou Batata.
Tem Dois que nasceram ali
Cabras muito bom de fato
O Poeta é o Remi
E o João, é o João do Mato.
Um dia no meio da feira
Essa dupla se encontrou
Remi caiu na besteira
E o João cumprimentou,
Levou logo uma rasteira
Os “quartos” no chão relou.
No golpe de Capoeira
O pau da venta amassou,
Que nem um gato ladrão
Ligeiro Remi pulou
já com a faca na mão
Dum salto se levantou,
É hora de morrer João!
Remi pra ele falou
A faca riscou no chão
O povo logo ajuntou.
Remi ia cortar João
Uma véia assim gritou
Valei-me frei Damião!
A polícia ali chegou
João disse: Seu delegado!
Ouça agora o que lhe digo
Não há nada de errado
Esse cabra é meu amigo!
Como isso pode ser
Se tinha aqui uma briga
Entre vocês deve ter
Na verdade grande intriga!
Seu polícia eu vou dizer
Como é essa parada!
Remi também se entrega
Pra provar que não há nada
Desafio o meu colega
Vamo rimar Embolada!
O João aceitou que sim
E o Remi disse: Confesso
Desmoralizar cabra assim
É mais bonito no Verso.
Remi começou dizendo
No Mote traço meus planos
“Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!”
Eu nasci num lugar rico
Há fartura todo o ano
Terra bonita, é um céu
Lá tem cana, leite e mel
Gado no pasto é cabano
Tem cabra e cabriolé
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
Remi é um mentiroso
Sei donde vem esse pano
Nasceu dentro dum bordel
Bucho de sarapatel
Seus ossos num tem tutano.
Dorme sujo e tem chulé
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
João do Mato esse injeitado
Fio de fulana e beltrano
Dum corno foi Xeleléu
Lá na casa de chapéu
Esse bruto é desumano.
É a Porca do Garnizé
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
Remi diz que em outra vida
Foi um soldado romano
Se enxerga Caburéu
Nem um peste dum bedel
Num fosse, tu é sem plano!
Pisado dá um rapé
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
Esse João seu delegado
Já correu daqui faz anos
Isso é cobra cascavel
Dá trabalho a coronel
Tão metido é se gabando
Em Santa Olinda faz “Mé”
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos
Ô Remi eu reconheço
De tu todos tão gostando
Santana dos Meus Amores
É bonito pra dedel
Você é um Menestrel
Mas eu vou logo avisando
Fique peixe! Zé Mané...
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
E assim, caro leitor
A contenda tá acabando
Na Cuia nem um real
E o delegado mangando,
Poeta ruim é um fel
Dou 10 conto pro cordel
Hôme vão mudar de ramo!
Vamos Cabo Barnabé!
Quem diz que é bom e não é
Comete muitos enganos.
A polícia foi embora
Os dois foram se incostando.
Desenrola carretel
Foi embora o povaréu
Os amigos se abraçando.
Depois foram tomar mé
No bar de Erasmo e Lelé
Que diz que é bom e não é
Comete muitos enganos!
Nota I: Aos amigos, Remi Bastos e João do Mato, aceitem esta singela homenagem. Em gratidão pelos comentários que fizeram [no Portal Maltanet.com] sobre este cronista na praça virtual!
Nota II: Estamos trabalhando no desenho da capa deste cordel. Tchau! Nos veremos na festa da juventude!
Santana do Ipanema, AL. 02/01/20210.
P.S. ESTE CORDEL JÁ FOI PUBLICADO NESTE PORTAL A 13 ANOS PASSADOS, REPUBLICAMOS AQUI, E NO BLOG DO AUTOR, no formato Cordel com ilustração e Capa: fabiosoarescampos.blogspot.com
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