Os grandes feitos dos homens ilustres perpetuam-se na história e se eternizam no tempo. Cada terra possui pessoas dotadas de inteligência, como se fossem predestinadas a conduzir os povos de diferentes épocas pelos caminhos da humanidade.
Percebe-se isso no longo percurso das letras, desde os primórdios dos garatujos e das inscrições rupestres, passando pelos entalhes nas árvores por onde o homem transitava, até chegarmos às grandes descobertas dos pesquisadores, que nos permitiram conhecer os registros das civilizações antigas. Entre essas descobertas, destaca-se a famosa biblioteca de Assurbanípal, na antiga cidade de Nínive, constituída por milhares de tábuas de argila que revelaram parte significativa da história da Mesopotâmia.
Mais tarde, os papiros, com suas folhas largas, serviram de suporte à escrita no antigo Egito. Ao longo dessa caminhada, a humanidade foi aperfeiçoando seus instrumentos e sistemas de comunicação. Os povos fenícios tiveram papel fundamental no desenvolvimento de um alfabeto que influenciou outros sistemas de escrita, enquanto os gregos incorporaram as vogais, elementos indispensáveis à formação das palavras. Podemos chamá-las, poeticamente, de as enamoradas do alfabeto, pois, embora sejam tão poucas, possuem um valor incomensurável na língua portuguesa.
E, nesse caminhar sinuoso da história, entre avanços, descobertas e transformações, chegamos à invenção da imprensa de tipos móveis, aperfeiçoada por Johannes Gutenberg por volta de 1450. Séculos depois, surgiram a máquina de escrever, os computadores e, finalmente, a tão conhecida internet, que continua transformando o mundo hodierno neste ano de 2026.
E muito mais ainda virá, pois a inteligência humana, sustentada por um cérebro cuja complexidade ainda não compreendemos inteiramente, continua a surpreender a humanidade. Nesse emaranhado de descobertas e conhecimentos, somente Deus, em sua infinita sabedoria, compreenderia a totalidade dos mistérios da existência.
Santo Agostinho, ao refletir sobre a grandeza divina, expressou uma ideia que atravessou os séculos: se Deus pudesse ser plenamente compreendido pela razão humana, não seria Deus. Daí se depreende a grandiosidade divina diante da pequenez do homem.
Ah, prezado leitor! As letras trouxeram tanta sabedoria, tanta arte e tantos conhecimentos que seria impossível enumerar suas contribuições na imensa abóbada do mundo. E, nesse longo caminhar da humanidade, elas também chegaram a Olho d'Água das Flores, há setenta anos, trazendo consigo a esperança de um futuro melhor.
Foi por meio delas que gerações de estudantes foram educadas e preparadas para a vida, graças ao trabalho de abnegados professores que fizeram da educação uma verdadeira missão.
Nesse contexto histórico, destaca-se o cidadão, político e prefeito Arnóbio Silva, primeiro prefeito eleito do município, cuja atuação contribuiu para o desenvolvimento educacional de sua terra. Em 1956, foi construída a Escola Estadual Ângelo de Abreu, uma realização de grande significado para a população olhodaguense.
Homem probo, trabalhador e honesto, Arnóbio Silva compreendia que a educação representava um dos caminhos mais seguros para o progresso de um povo e para a grandeza de uma nação. Ao lado de outros cidadãos comprometidos com o desenvolvimento municipal, deixou sua contribuição para a história de Olho d'Água das Flores, tendo sido eleito prefeito por dois mandatos.
Entre suas realizações, destacam-se a construção da Escola Estadual Ângelo de Abreu e a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso, em 1963, iniciativas que contribuíram para transformar a vida da população. Somadas a outras ações, essas obras representaram um verdadeiro presente para a comunidade, um jardim de esperanças cujas flores continuaram a desabrochar ao longo dos anos.
Sua história também se entrelaça à de sua esposa, dona Alba Vanderley, compondo a memória de uma família que fez parte da trajetória de nosso município.
Ao longo desses setenta anos, a Escola Estadual Ângelo de Abreu recebeu incontáveis estudantes, que encontraram em seus mestres o conhecimento necessário para trilhar os caminhos da vida. Quantos sonhos nasceram naquelas salas de aula! Quantos profissionais foram formados! Quantas famílias tiveram suas histórias transformadas pela educação!
É impossível mensurar a dimensão desse legado. Orgulho-me de fazer parte dessa história tão bonita, construída com dedicação, compromisso e amor ao ensino.
Como forma de preservar essa memória, registro aqui os nomes dos diretores e das diretoras que passaram por aquela casa de formação educacional, reconhecendo que muitos outros profissionais também deixaram suas contribuições no vasto caminho do conhecimento.
Diretores e diretoras da Escola Estadual Ângelo de Abreu:
- Aurelina Palmeira de Melo — primeira diretora, em 1956;
- Luci Silva Melo;
- Marli Quintela de Abreu;
- Ednalva Gonçalves Mathias;
- Célia Barbosa Fontes Carneiro;
- Antonio Machado;
- Maria Aúrea Nunes Santos;
- Silvana Bezerra Andrade;
- Toniolando Macedo Lima;
- Gláucia Melo Carvalho Quintela;
- Paulo André Araújo;
- Raul Marques Neto.
Em meu livro Educando para a Vida, escrevi esta máxima que sintetiza minha maneira de compreender o papel da educação na sociedade:
“A educação nasce no lar, floresce na escola e frutifica na sociedade.”
Escrevi essa máxima acreditando que a educação é uma construção coletiva, iniciada na família, cultivada pelos professores e fortalecida pela convivência social. É por meio dela que os indivíduos desenvolvem valores, ampliam seus horizontes e se tornam cidadãos conscientes de seus direitos e deveres.
Ao completar setenta anos de atividades, a Escola Estadual Ângelo de Abreu celebra muito mais do que uma data. Celebra uma trajetória de dedicação ao ensino, de formação de cidadãos e de contribuição para o desenvolvimento de Olho d'Água das Flores.
Deixo, portanto, este capítulo da história como uma homenagem à escola, aos seus antigos e atuais educadores, aos estudantes, aos funcionários e a todos aqueles que ajudaram a construir essa bela caminhada.
Registro também meu reconhecimento ao atual gestor, professor Raul Marques Neto, que, com galhardia, acolheu a todos e contribuiu para abrilhantar as comemorações dessa data tão significativa.
Que a Escola Estadual Ângelo de Abreu continue sendo um farol de conhecimento, iluminando gerações e mantendo viva a chama da educação.
Setenta anos de história, de ensinamentos e de vidas transformadas!
Que venham muitos outros anos, para que as letras continuem florescendo e a educação siga frutificando na sociedade.
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