A garça solitária no lago,
Porque não pode voar mais,
Ninguém lhe faz um afago,
Dona dos espaços siderais.
A velhice dominou seu estro,
Outrora rija, ágil e forte,
Do espaço era um astro,
Esquecida, esperava a morte.
Vivendo entre sapais e lama,
As outras, embora, se foram;
Hoje, ninguém mais lhe ama,
Nem lembranças lhe restaram.
Triste, num lago esquecida,
Sem carinho, sem alegria,
Vive a garça solitária,
À espera de um novo dia.
(AM)
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