Ao completar quinze anos de idade, recordo que meu melhor presente foi um texto, escrito por minha mãe, publicado na Gazeta de Alagoas, onde existiam comentários sobre meu passado e também perspectivas para o futuro.
Hoje, tanto tempo depois, prestes a concluir e publicar meu sexto livro, intitulado Registrando para Eternizar, com apresentação do mágico das crônicas Ronald Mendonça e introdução de Márcia Lanverly, minha única e amada irmã, resolvi encerrar meu mais recente trabalho literário incluindo a mensagem escrita por minha genitora por entender tratar-se, não somente de uma pérola, cada vez mais valiosa, mas por ser um documento marcante em minhas memorias.
Com o conteúdo daquele documento bem vivo em minha mente busquei, nos armários e gavetas a meu alcance, cópia original do mencionado ensaio. À medida que revolvia papéis, como em tela panorâmica, etapas de minha vida eram projetadas. Diploma do Doutor do ABC, fotos antigas com amados que já se foram, cartas bem concebidas por meus avós e bisavós. O encantamento com a primeira cópia xerox chegada a minhas mãos, os álbuns de figurinhas das seleções de futebol das copas de 62, 66, 70, e outras mais atuais...
Nesta cautelosa busca, contudo, o que prendeu minha atenção, foi o contato tido com os diários, por mim escritos através dos tempos. Lendo-os, me conscientizei de ser a verdade, aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter, nem adquirir de ninguém, pois deve extraí-la, sempre nova, de seu próprio intimo. Caso contrário ela perece. Levar a vida sem verdade é praticamente impossível, pois ela é a própria vida.
Folheando meus escritos de outrora, forjados sempre em folhas de caderno, com tintas vermelha, azul, preta ou até em grafite, rememorei a realidade que vivi. Recordei segredos somente contados a meu diário, revi-me quase sempre alegre e esperançoso, amando e sendo amado por aqueles, eleitos como meus verdadeiros e eternamente queridos.
Capítulo que me chamou a atenção descreve um dos muitos almoços sempre acontecidos com meus pais e irmã, na Churrascaria Didonê, defronte ao Hospital Universitário, então a única daquele estilo em Maceió... Referia-se ao fato de que o garçom nos atendera bem, com simpatia e celeridade.
Manuseando aqueles papéis, já amarelados pelo tempo, meditei sobre o conteúdo do texto, e vi como são equivocadas nossas conclusões ao nos sentirmos satisfeitos, por uma autoridade ser honesta (sic!!!) ou quando um cidadão cumpre seus deveres, embora, na realidade esta devesse ser a prática comum de quem desenvolve qualquer atividade. Imagino seja a responsabilidade o preço a pagar pelo direito de fazermos nossas próprias escolhas.
Depois de muita busca, fiquei feliz, não somente por haver revivido minha história, relendo aqueles diários, como por finalmente ter resgatado o texto escrito, para mim, por minha mãe, onde ela assim conclui: “este desejo, meu querido filho, é o presente de quinze anos que de coração te oferece aquela para quem foste o presente de Deus.”
(*)Membro das Academias Maceioense e Alagoana de Letras e do IHGAL
EXERCENDO A RESPONSABILIDADE...
CrônicasPor Alberto Rostand Lanverly (*) 09/11/2015 - 19h 27min
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