O PINGO D’ÁGUA

Poesias

Benga

Eu sou o pingo d’água
O pingo que pinga
O pingo que atormenta o seu sono
O pingo que tornou-se seu pesadelo
No tempero da panela
Olhe no fundo de minha alma
A ira de minhas palavras
Tem sabor de mel
Sinta o murmúrio das palavras
Escute, vem do pingo
Ficou flutuando ao meu lado
Uma nuvem chamada
Felicidade
De longe aspirava pela última vez
A mãe natureza
Com a certeza que um dia
Iria morrer
O pingo também dizia
Neste sertão não irei sobreviver
O homem não come
Mas mata
O dia está lindo
Parece pingos quando cai
Sinta o cheiro da terra
A alegria do tempo, só vento sabia cantar
Mostrando uma caudalosa sonata
Só a lua de prata aplaudia
Nãop reagi a seus encantos
Aos prantos andava uma nuvem solitária
Uma nuvem negra
Carregando dentro dela um pingo
Cheio de energia
Preciso adiantar o sol de verão
Sou dançarino, tenho ritmo
Meu ritmo é o da chuva
Sou o pingo que cai das alturas
Na alvura das nuvens estou
Pingos são lágrimas que brotam
Dos olhos dilatados de uma mãe nuvem
A procura do sertão
Lá sem minha presença
As rosas não nascerão
O pingo que cai, é o que respinga no telhado
Atrapalhado rasteja pelo chão, feito cobra
Pingo que corre pela sarjeta
É o mesmo que sacia sua sede
Pingo que ignora palavreados e imundícies
Pingo que forma
Rios, riachos e alimenta o mar
Sou o pingo que todos desejam
Sou o pingo que já foi lama
Na cama me espojei
Fui engolido pelo sol
A terra abriu-se
O Jesus meu Deus rezou
A terra padece tamanho sofrimento
A terra sente a falta do amigo
Pingo
Vou correndo, vou descendo
Calam aí companheiro
Será que um dia serei rei
Não. Sou apenas um pingo
Um pingo d’água.

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