Colunistas: A AGRICULTURA ESTÁ FALIDA

Literatura

Antonio Machado

Filho de agricultor, onde trabalhei por cerca de 25 anos na enxada e em outras atividades congêneres da mesma profissão, na agricultura das terras de meu pai. Nesse quartel de século, ensinou-me a fazer de tudo na roça: do preparo da terra para o plantio à colheita. Afora a cultura da lavoura, tínhamos um bom criatório de gado, palma forrageira e enfrentávamos as grandes secas que se evidenciavam vez por outra. Não havia água encanada, somente as cacimbas de minação. Somente em 1968, a água encanada do Rio São Francisco chegou a Olho d'Água das Flores. Estou me situando somente nesses arrabaldes. A fome grassava e a pobreza imperava.

Em 1956, ano seco e avassalador para a agricultura, fui com meu pai ao povoado de Poço da Cacimba, às margens do Rio Ipanema, onde cavamos uma cacimba na areia do rio. Minava muita água e, num carro de boi, conduzíamos três tonéis para buscar daquela água salobra que servia para beber.

Prezado leitor, estou escrevendo estes lampejos brotados da estrada que vi, andei e vivi nesses momentos da vida. Ao darmos um retrocesso na história, que faz parte também da minha história, o Marquês de Maricá escreveu que "a história é a biografia da humanidade", e deveras o é. Pois estes dados remetem ao contexto da história de cada um. Olhando pelo viés da vida, a pobreza paga mais caro. As secas foram sempre companheiras do agricultor.

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