Filho de agricultor, onde trabalhei por cerca de 25 anos na enxada e em outras atividades congêneres da mesma profissão, na agricultura das terras de meu pai. Nesse quartel de século, ensinou-me a fazer de tudo na roça: do preparo da terra para o plantio à colheita. Afora a cultura da lavoura, tínhamos um bom criatório de gado, palma forrageira e enfrentávamos as grandes secas que se evidenciavam vez por outra. Não havia água encanada, somente as cacimbas de minação. Somente em 1968, a água encanada do Rio São Francisco chegou a Olho d'Água das Flores. Estou me situando somente nesses arrabaldes. A fome grassava e a pobreza imperava.
Em 1956, ano seco e avassalador para a agricultura, fui com meu pai ao povoado de Poço da Cacimba, às margens do Rio Ipanema, onde cavamos uma cacimba na areia do rio. Minava muita água e, num carro de boi, conduzíamos três tonéis para buscar daquela água salobra que servia para beber.
Prezado leitor, estou escrevendo estes lampejos brotados da estrada que vi, andei e vivi nesses momentos da vida. Ao darmos um retrocesso na história, que faz parte também da minha história, o Marquês de Maricá escreveu que "a história é a biografia da humanidade", e deveras o é. Pois estes dados remetem ao contexto da história de cada um. Olhando pelo viés da vida, a pobreza paga mais caro. As secas foram sempre companheiras do agricultor.
Não teria sido, pois, a agricultura a primeira profissão da Terra? Cito, nos meus escritos, que outros acham ter sido a pesca a primeira atividade humana; porém, não possuo questionamentos para essas assertivas. Entretanto, fico com o primeiro alvitre.
Os tempos mudam, geralmente com inovações procurando minorar a situação do homem; contudo, a agricultura paga mais caro. Se olharmos a história na calenda do tempo, vemos que, do ano de 1970 até 2026, os anos parecem ter mudado. As secas, com seus invernos pífios, provocando a escassez de chuvas, parecem mal distribuídas.
Nunca vi um mês de julho sem chover, mormente na região sertaneja. Foi sempre um período de chuvas frequentes e, este ano, não choveu. Com isso, a lavoura se perdeu com a aridez do tempo, notadamente o feijão, o milho e outras culturas, por serem mais sensíveis.
Atualmente, o milho só está sendo plantado para a silagem e, este ano, sofreu grandes consequências, prejudicando os fazendeiros que investiram nessa lavoura. O governo vem tentando melhorar a situação com água encanada nos sítios e carros-pipa levando água para todos. O governador Paulo Dantas vem enviando, mensalmente, uma feira para um número grande de pessoas nos municípios, ideia benfazeja para as famílias pobres, pagando aos funcionários do Estado dentro do mês trabalhado. O Governo Federal envia, mensalmente, uma quantia para os não aposentados, complementando a renda.
Esse caso dramático das secas possivelmente só tomará outro rumo quando o Canal do Sertão for concluído, obra que já está em fase de grande adiantamento. Aí, sim, o sertão terá outra face. Sendo o governador sertanejo, tem-se mostrado sensível a esse quadro.
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