FI DA BOBÔNICA!

Crônicas

Por Remi Bastos

Que expressão é esta? Por que “bobônica”? Será uma maneira de se elogiar alguém? Nada disso, é apenas, é um vocábulo usado por alguns nordestinos, principalmente por alagoanos, quando é necessário atacar, elogiar, jurar alguém, ou dizer que algo é ruim ou maravilhoso. O mais interessante, é que a “bobônica” não é ventilada, somente, por aqueles indivíduos mais necessitados dos precatórios, mas, por toda classe social, independente do seu degrau na pirâmide civil. No entanto, não é toda pessoa que sabe empregar a Palavra “bobônica”, é preciso ter aquele manejo, que só o Santanense possui. Por exemplo, se o cabra toma uma “cachaça” e sente aquele gosto bom, diz assim: “eita cachacinha boa da bobônica”. Se o caboclo é feio, logo vem o desfeche: “ Ou fi da bobônica feio”. Agora, se o indivíduo foi a uma festa e tomou várias, no dia seguinte, certamente, que estará no Bar da Pitu comentando com os amigos e dizendo assim: “ ontem tomei uma da bobônica”. E por último, se alguém fez um mal a outro alguém e se mandou, correu ou fugiu, certamente que o ofendido dirá: “vou pegar aquele fi da bobônica, nem que seja na casa da peste”. Neste caso, a frase ficou mais reforçada, além de garantir ainda mais a jura. Conheci duas pessoas que sabiam como ninguém empregar de forma categórica a palavra “bobônica”. O primeiro foi Reginaldo Falcão, o qual encontrava sempre um espaço para aplicar a arte. Outro dia estávamos na antiga Praça do monumento, em Santana, batendo papo e fazendo uma análise das nossas farras, quando, de repente passa um enterro, com o morto em um caixão sofisticado. Não deu outra, Reginaldo fitou o caixão e disse: “caixão bonito da bobônica”! Papai também sabia empregar o vocábulo, porém, mas classicamente. Talvez, pelo fato de ter trabalhado no antigo DNERU, no combate as endemias rurais e seus agentes responsáveis. Quando balbuciava a expressão dizia sempre, bubônica. Lembro-me de quando o meu velho pai comprava 4 ou 5 laranjas na feira e as guardava no pé do pote, para mamãe fazer o seu suco de cada dia, e auxiliar na ingestão dos alimentos, já que sofria de esofagite. Acontece, que às escondidas, nós capávamos 2 ou 3 laranjas, desfalcando o calendário do suco do meu velho herói. Quando ele procurava a laranja na quinta-feira e não encontrava nada, coitado, se irritava e dizia em bom som: “quem tirou estas bubônicas daqui”? Ninguém respondia todo mundo calado. Bem, já escrevi de mais, vou para por aqui, porque já estou sentindo um cansaço da “bobônica”.

Aracaju/Se, 08 de setembro de 2015.

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