O Nordeste Brasileiro é uma região rica em vícios e erros de linguagens, que até podemos chamar de, “adaptação da linguagem”. Dias atrás teci um comentário sobre o emprego da expressão “Fi da Bobônica”, vocábulo este, muito empregado por pernambucanos e alagoanos, principalmente da região sertaneja. Hoje retorno com mais uma sentença, também, muito conhecida dos Paraibanos, pernambucanos e alagoanos, especialmente em Santana do Ipanema e municípios vizinhos. Em se tratando de coisas nossas, o alagoano está sempre na frente. Pois bem, o “fi de rapariga”, expressão que enche a boca de quem a exala, se assemelha ao “Yes” e ao “Ok” americano, está sempre em uso. “Fi” ou “fia” é a forma sincopada de filho ou filha, porém, com certa restrição de letras. Se articulador pronuncia, “Filho de rapariga”, observe que fica um vazio por parte do recepto ou de quem recebe o elogio. Apenas é recomendado o emprego do “Fi de rapariga”, quando se tem certeza de sua aceitação. E quando a devemos usar? Ora, muito simples, em situações semelhantes ao emprego do “fi da bobônica”. Por exemplo, quando se quer elogiar alguém, pagar uma cobrança, chamar, fazer pagamentos, xingar, etc., se diz assim: “Ou fia de rapariga bonita! ; olhe aqui o dinheiro seu fi de rapariga; Chame esse fi de rapariga aí ; eu já paguei aquele fi de rapariga; e depois que houve o relato de desagrado, diz-se simplesmente, “fi de rapariga”! Em Santana um dos maiores articuladores da assuntosa expressão, é o Cocada da Loteca do Poço das Trincheiras. Quando às vezes o cliente esquece de receber o troco, de lá mesmo do interior da lotérica, ele grita: “Chame esse fi de rapariga aí. O dicionário do sertanejo nordestino é rico, original, aceitável e tolerante dentro de certos limites. Tenha cuidado para não tropeçar ao empregar a expressão, “fi de rapariga”, pois, o mal poderá cair sobre você, seu fi de rapariga!
Aracaju (SE), 11/09/2015.
FI DE RAPARIGA!
CrônicasPor Remi Bastos 16/09/2015 - 17h 49min
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