Fabilânio Alves ou Fabão, rapaz de boa estatura, simpático, com certa experiência de vida e que carregava nos ombros 48 tremendas primaveras. Como todo nordestino macho, sempre se mostrava afoito quando a assunto era mulher e samba. Gostava de esbanjar o seu porte físico com as garotas da cidade, onde se apresentava como um verdadeiro galã. Diante da facilidade que encontrava em suas conquistas, conseguia ter mais de uma namorada na pacata cidade em que nascera. O Fabão era um apreciador de pagode, frequentava todas as festinhas da redondeza sem dar importância ao local. Sempre atendia ao chamado da sanfona e do teclado, sendo um dos últimos a deixar o salão. Certo dia foi a um samba no sítio de João Garça, no município de Canindé do São Francisco, em Sergipe, e lá, após ingerir alguns tragos, conheceu e simpatizou-se por uma donzela, conhecida na região por Zefinha Pinguelão, mas, que atendia pelo nome de Finha. A Zefinha Pinguelão, conforme o próprio nome era um ser humano setenta por cento homem e trinta por cento mulher, mas, no seu cotidiano, sempre se apresentava como uma fêmea sedutora atuando nos dois gêneros. Após uma noite provando os carinhos de Pinguelão, Fabilânio entregou-se de corpo e alma aquele amor à primeira vista. Sambou a noite inteira, e nos pequenos intervalos procurava amortecer o corpo, encostado a um carro de bois estacionado num velho juazeiro nas pestanas do forró. Vinte dias depois, somente as mensagens dos celulares os faziam sentirem-se presentes. Até que num belo domingo de setembro, Fabilânio decidiu fugir com sua amada, onde programou sua lua de mel no Hotel São Francisco, em Penedo, Alagoas. Tal foi a surpresa do recém-casado, após intensos carinhos e beijos em sua noiva querida, quando, ao percorrer com suas mãos maliciosas o corpo de sua virgem, notou algo despertar como se fosse um foguete. Fabilânio entre a dúvida e a certeza, acendeu as luzes do quarto, e lá estava a resposta. Zefinha Pinguelão era uma hermafrodita ou bissexual, com tendências para a masculinidade. Apressado Fabilânio vestiu as roupas e se mandou na velocidade do gás butano. Só teve tempo, apenas, de pagar as despesas. Desgostoso, foi embora para São Paulo, e a partir desse dia, toda namorada que conseguisse, primeiramente, pedia licença para passar as mãos nas suas Partes íntimas.
Remi Bastos
Aracaju (SE), 26/08/2015.
O CASAMENTO DE UM GALÃ COM UMA HERMAFRODITA
CrônicasRemi Bastos 27/08/2015 - 00h 15min
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