A Janela

Poemas

José Bento de Melo Filho

Hoje o dia está gostoso
É dia frio no sertão
Chove mansamente
E eu da janela do alpendre
Fico a observar um mundo à minha frente
Passo o dedo sobre a soleira de braúna
Está bem lisinha e vermelhinha
De anos do abrir e fechar do cedro
Desejo um café bem forte e quente
Pois fico mais ativo e contente
A chuva causa isto em nossa gente
Não dá para explicar
Só sentir
Lá fora um bem-te-vi a cantar
Crianças que correm sem parar
Aliás, irão brincar até a chuva cessar
A brisa desvenda a teia da aranha solitária Entre os galhos do jasmim
O tic- toc do cair das gotas dá mais vida ao jardim
E aqui dentro fico a ouvir o barulho dos chuviscos no telhado
Que fazem valorizar as coisas simples em mim
Uso o dedão para coçar o solado do pé
Um dia de preguiça que faço por merecer
Meu casaco parece não conseguir me aquecer
Peço outro café
Que vem acompanhado do abraço da minha mulher

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