Lelé, onde nasce o rio Amazonas? Ele respondia imediatamente: “Nasce no Peru e deságua no oceano Atlântico, contornando a margem sul da ilha de Marajó, pelo estreito de Breves, no Estado do Pará. Tem uma extensão de aproximadamente 6.670km.”
E o rio Nilo? E ele, novamente, na ponta da língua: “Esse nasce no continente africano no lago de Vitória, em Uganda, e tem quase a mesma extensão do Amazonas. Um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, responsável pelo desenvolvimento de uma nova metodologia, concluiu que a extensão do Nilo – 6.614km – é menor que a do Amazonas.”
E continuava: “Essa diferença pode estar associada à perda em comprimento provocada pela construção do lago Nasser, gerado pela represa de Aswan. Portanto, o rio Amazonas é o maior do mundo em extensão e em volume de água.”
Qual é o pico mais alto do mundo? “Não é o Everest com 8.850 metros de altitude! Ele está situado na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, encravado na cordilheira do Himalaia. Em nepalês é chamado Sagarmatha (rosto do Céu) e em tibetano, de Qomolangma (mãe do universo).”
Qual é a capital da China? “Hoje é Pequim, com quase 17 milhões de habitantes, mas a antiga era Nankin, que foi invadida pelas tropas japonesas em 1937. Foi um verdadeiro horror. Li muito sobre essa invasão.”
E o maior lago do mundo? E ainda Lelé: “É o Baikal, na Sibéria, cujo nome quer dizer "Lago Rico" ou "Mar". Agora, o lago mais alto do mundo navegável é o Titicaca, situado a 3.821 metros acima do nível do mar, localizado no altiplano dos Andes, na fronteira do Peru com a Bolívia. Mais de 25 rios deságuam no seu leito e possui 41 ilhas, algumas densamente povoadas. O nome, traduzido como “Pedra do Puma”, é uma combinação das palavras das línguas locais, Quíchua e Aimará.”
Qual é o vulcão mais alto do mundo? “Dizem os estudiosos que é o Mauna Loa, com 4.170 metros acima do nível do mar e está situado na ilha Grande do arquipélago do Havaí. Hoje um dos mais conhecidos vulcões em erupção da atualidade é o Etna, situado no extremo oriental da ilha da Sicília, na Itália.”
Qual é o segundo maior rio do mundo em volume de água? “É o rio Congo. Ele nasce nas terras altas da África Oriental e flui através das selvas rumo ao sul. Sua bacia tem quase 30% das reservas de água doce da África.”
E um rio importante da Rússia? “É o Ob-Irtish, que nasce nas montanhas Altai e termina no mar de Kara, no oceano Ártico, e tem uma extensão de 5.570km. O Venisei e o Volga, também são russos!”
Onde nascem os rios Tigre e o Eufrates? Ainda Lelé, respondendo: “O Tigre, nas Montanhas Taurus, no Curdistão, e o Eufrates, na confluência dos rios Murat Nehri e Kara Su, na Turquia. Ambos deságuam em Shatt-al-Arab, no Iraque, Médio Oriente.”
Diga agora o local mais profundo do mar? E ele, sem titubear: “É a fossa das Marianas. Somente em 1960 o homem chegou lá quando o submarino Trieste atingiu a depressão Challenger, a 11.000 metros.”
E quantas pessoas morreram no acidente do Titanic? “Pouco mais de 1.500. Somente 706 pessoas foram resgatadas. O acidente aconteceu no dia 15 de abril de 1912, na viagem inaugural, de Londres a Nova Iorque.”
Ainda mais, fugindo à geografia: Lelé, diga mesmo qual é o selo mais procurado na filatelia do mundo? “Ora, é o Olho-de-Boi, que foi impresso por determinação do Governo Imperial brasileiro em 1843. E tem mais: constou de três peças, com valores gravados de 30, 60 e 90 réis. Valem muito dinheiro hoje em dia!”
Muito bem!
Outra: E o violino mais importante do mundo? “Ah! Essa é difícil, mas deixa-me ver! Pronto. É o germano Stradivarius, fabricado em série no final do século XIV. Dizem que foi feito de madeira dos navios submergidos. Alguns dizem que a origem do instrumento é da Itália.”
Finalizando, Lelé, com quantos paus se faz uma jangada? “Sete. Não é a conta do mentiroso!”
Assim era o nosso querido Guilhermino Oliveira Queirós, Lelé, o Têia, irmão de Zé Cirilo, que viveu mais de 85 anos e gostava de “água que passarinho não bebe”. Tipo magricela, de baixa estatura, pele clara, cabeleira farta, bigode, barba por fazer, sorridente, grande jogador de dominó. Tinha por hábito fiscalizar constantemente as jogados dos adversários, com a finalidade de evitar um gato por lebre. Jogava sério e não procurava fazer trampolinagens. Ficava bastante irritado quando perdia. Brigava com o companheiro, responsabilizando-o pela derrota da partida. “Você não sabe jogar!”, dizia. Nunca constituiu família através de casamento. Era solteiro e boêmio. Foi sapateiro e comerciante. Nunca ouvi qualquer história que desabonasse a sua conduta, salvo os pileques. Hoje seu bar, situado no final da Rua Nova, em Santana do Ipanema, é de propriedade de Erasmo Queirós, seu sobrinho e compadre do autor. Joguei muitas vezes com Lelé naquele bar. Ora como adversário, ora como companheiro. Que Deus o tenha, naturalmente ensinando geografia à roda de amigos e colegas, incluindo os biriteiros, lá na dimensão sagrada.
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