VIII Encontro dos Profetas das Chuvas do Sertão Alagoano traz esperança de boa quadra chuvosa para 2026

Agricultura

Ascom Santana do Ipanema

A Prefeitura de Santana do Ipanema realizou, nesta sexta-feira (6), o VIII Encontro dos Profetas das Chuvas do Sertão Alagoano, reunindo tradição, cultura e os saberes populares que atravessam gerações. A previsão de uma boa quadra chuvosa marcou o evento, que contou com a participação de 10 profetas.

Baseadas na observação atenta dos sinais da natureza, como o comportamento das plantas, das nuvens, dos astros e dos animais, as previsões trouxeram esperança para agricultores e para toda a população.

O profeta Cícero Cabral baseia suas previsões na observação dos astros. Ele analisa fenômenos como as Três Marias, as fases da lua e sinais conhecidos como Barra de Natal e Barra de Ano Novo.

“A primeira lua cheia de janeiro veio arrudiada com várias luzes que ficam acompanhando ela. É sinal de muita chuva”, afirmou Cícero.

Alem da observação dos astros, o guardião das sementes Sebastião Damasceno também destacou a produção das plantas. “A umburana de cambão vingou que nem pingo de chuva. Esses sinais sempre demonstram um bom inverno”, destacou.

O profeta mais jovem do grupo, Ariselmo de Melo, também apontou indicativos positivos. Segundo ele, a formação de nuvens em formato de “arranha-céus”, além da observação das formigas, da florada do mandacaru e do comportamento do Rio Ipanema, indicam um bom inverno.

“Prepare os tratores, Eduardo. Prepare os tratores da Secretaria de Agricultura, Marcelo. E as sementes. Nós vamos ter corte de terra, viu?”, destacou o profeta Neném, com base na observação de umbuzeiros, coqueiros, da experiência com uma garrafa de água enterrada no solo e outros sinais da natureza.

Durante o encontro, os profetas também destacaram a importância da preservação ambiental para a continuidade desse saber tradicional. Segundo eles, o equilíbrio da natureza é essencial para que os sinais continuem sendo observados e interpretados pelas futuras gerações.

Para o prefeito Eduardo Bulhões, o encontro representa um momento de esperança, já que a chuva é fundamental para a produção dos agricultores e para a vida do sertanejo.

“Assim como na terra, na vida também colhemos aquilo que plantamos. E em Santana do Ipanema estamos plantando trabalho, para que, lá na frente, possamos colher bons resultados”, destacou Eduardo.

A programação contou ainda com a Feira da Agricultura Familiar e as apresentações de Jorge Sanfoneiro, dos cordelistas Diógenes Pereira e Efigênia Dias, e do professor do IFAL, Juan Muniz, com a leitura dramatizada do poema “Águas e mágoas do Rio São Francisco”, de Carlos Drummond de Andrade.

O evento foi encerrado com uma homenagem ao profeta Biubiano, que participou de seis edições do encontro e faleceu em 2025. A família recebeu uma lembrança em reconhecimento à sua contribuição para a preservação desse importante saber popular.

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