Li o excelente, mas preocupante artigo do Dr. Sérgio da Hora Farias publicado na Gazeta de Alagoas com o título “Estudar e Viver Medicina não é nada fácil nem charmoso como se pensa”.
Cita o conceituado Geriatra e presidente do Colégio Brasileiro de Medicina Avançada parte de um diálogo que teve anos atrás com o não menos conceituado Dr. Ib Gatto Falcão, no qual esse expoente da medicina alagoana externava sua preocupação com o futuro dos profissionais da “arte de curar”. Dizia o Dr. Ib Gatto: “esse pessoal, antes de chegar aos 40 anos, ou vai adoecer de câncer, infarto, AVC ou estresse”.
Faz o Dr. Sérgio da Hora Farias uma grave denúncia: “Nas condições atuais, o nosso médico não tem como sustentar a família, ter repouso, participar de congressos, comprar livros, pagar impostos. É uma miséria o que ele recebe. Livros caros, trabalhando até sob risco de agressões físicas, morais e contagiosas. O médico acaba sendo o empregado mais barato do mercado.
Semanas atrás fiquei boquiaberto quando uma colega enfermeira me revelava que aqui no Hospital Dr. Arsênio Moreira existe um colega que trabalha por mais de 36 horas corridas em plantão semanal.
Anos atrás tivemos perda de dois colegas que chegaram ao óbito vítimas de infarto fulminante e até que se prove o contrário por excesso de trabalho.
Como sempre o Dr. Ib Gatto Flacão tinha plena razão em externar sua preocupação anos atrás.
O certo é que hoje para graduar-se em medicina tem-se que “ralar muito”. Livros caros, investimento alto para especialização e mercado de trabalho nem sempre compensador.
Caso o profissional opte pela carreira acadêmica, é necessário pós titular-se em mestrado e doutorado para em seguida receber um salário de certa forma irrisório pelos custos e sofrimentos dispensados para titular-se. As nossas academias pagam salários muito baixos aos seus professores.
Em termos de emprego público, o modelo assistencial de saúde vigente no país é a estratégia Saúde da Família, a qual funciona de forma não igualitária em termos salariais e se por um lado paga um pouco melhor não garante um futuro tranqüilizador em termos de aposentadoria, se o profissional tiver vínculo com o município. Caso não tenha um plano de previdência privada auxiliar irá aposentar-se com 01 (um) salário mínimo...se chagar lá!
Sou daqueles médicos que fizeram medicina por vocação e falo em termos de saúde pública porque sou Sanitarista e especializado em Saúde da Família e Comunidade. Sem falsa modéstia entendo um pouco do babado! Entretanto o meu amor pela medicina não me cega ao ponto de tornar-me insensível à dura realidade em que vivencia o médico em nosso país nos dias atuais.
Cita também o Dr. Sérgio Hora um desejo nobre quando diz: “ acredito que em algum dia, nossas entidades médicas – AME, CFM, sindicatos médicos se unirão para ajudar aos colegas nas reciclagens, na remuneração e em protege-los contra a contaminação das doenças”.
Eu também espero que isso possa se realizar Dr. Sérgio!
Com a palavra o AME, CFM, CRM, Sindicatos, Academia, governo.
Endosso as sábias palavras dos colegas Sérgio da Hora Farias e Ib Gatto Falcão: “Estudar e Viver Medicina não é nada fácil nem charmoso como se pensa”.
Pensemos nisto!
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