Na década de 60, antes da evolução meteórica do sistema bancário, apenas 14 cidades de Alagoas eram dotadas de agências do Banco do Brasil. Para as demais localidades, que demonstravam certo desenvolvimento, eram nomeados correspondentes com a função precípua de executar serviços bancários como cobranças, quitação de ordens de pagamento, entre outros. Normalmente essas atribuições eram confiadas a pessoas de conduta ilibada, que gozasse de bom conceito no seio da comunidade e que dominasse elementares conhecimentos de rotinas bancárias.
Naquela época foi nomeado um correspondente para Delmiro Gouveia e a indicação para a referida tarefa recaiu sobre um cidadão de origem turca, cognominado Miguel Gandur Dacach. Ele sempre levou a bom termo a missão que lhe foi confiada, na qual perdurou até a criação da agência do banco naquela cidade. Além de competente, o referido preposto tinha como característica, comum aos descendentes do oriente médio, um apego exacerbado ao dinheiro. Conta Ademir Carvalho – que trabalhou um bom tempo no Banco do Brasil da
citada localidade –, que o Miguel Gandur vendeu um fusca a uma pessoa de reconhecida reputação, muito conceituado no local por sua honestidade e seriedade. O negócio foi concretizado e o pagamento foi acordado para ser metade no ato da compra e o restante 30 dias depois. “Batido o martelo”, como se costuma dizer no sertão, o comprador fez o seguinte comentário, para selar o pacto:
- “seu” Miguel não se preocupe que na data combinada eu lhe pago a segunda parcela, porque costumo honrar meus compromissos e o único defeito que tenho é ser pobre. O vendedor, por sua vez, arrebatou a chave do carro das mãos do comprador e disparou:
- meu caro, negócio desfeito. Você tem o pior defeito que um homem pode ter.
Recife-PE Janeiro/2007
História publicada em 05/02/2007
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