Disse Fernando Pessoa: “Admire a Lua. Sonhe com ela.”
A Lua me fascina, sobretudo a lua cheia. Encanta-me onde eu estiver. Às vezes, celebro com vinho o espetáculo do seu aparecimento, linda e resplandecente, a caminhar solitária no céu, pintando de prateado nosso planeta.
Agora, em fevereiro que passou, fiquei admirado com o tamanho da lua cheia, bem maior e luminosa, chamada de Superlua, fenômeno que ocorre de tempos em tempos. Dá-se a lua cheia quando a luz solar ilumina toda a face visível da Lua, refletindo-a na Terra, para alegria de nós outros seus românticos admiradores.
Há poucos dias, li a notícia de que os americanos pretendem, dentro de quatro anos, levar uma mulher a pisar o solo da Lua. Repetirão, certamente, o feito histórico de 20 de julho de 1969 que levou o astronauta Neil Armstrong e mais dois companheiros a colocarem os pés na superfície lunar, quatro dias após o lançamento da Apollo 11. Conhecida ficou a frase de Armstrong: “Esse é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade.”
Era domingo, 23h56m (horário de Brasília), aquele 20 de julho de 1969. Na poltrona de minha casa em Santana do Ipanema, deslumbrado assisti pela televisão a esse “salto gigantesco”. De roupa trocada, eu aguardava, então, minha ida ao Tênis Clube Santanense para o baile de encerramento da Festa da Juventude, acontecimento social culminante que se realiza durante o novenário da festa da padroeira da cidade.
Muita gente não acreditou que o homem tivesse chegado até a Lua, distante da Terra 384 mil quilômetros. Fatos posteriores desfizeram o ceticismo.
Encanta-me, repleto de recordações, o nascer da lua cheia nos confins do mundo, seja o nascer entre o mar e o céu, seja o nascer lá por trás da serra do Gugy, vista do Sítio Gravatá em Santana do Ipanema, chão nativo da minha infância.
Em Campos do Jordão, lembrei-me, com saudade, da lua cheia lá do sítio onde nasci. Na rua da fria cidade serrana, o poeta Cássio Saga oferecia-me a pequena estrofe da poesia haikai: “Ah, lua cheia/ tantas vezes nasci/ e morri/ só pra te ver!”
Foi-se o tempo das sadias e sentimentais serenatas pelas ruas de Santana do Ipanema, depois de cruzados os ponteiros da meia-noite. Jovens boêmios ao luar, com bebidas e canções, dirigiam-se à janela de suas amadas. Ou para despertar amigos, igualmente românticos, ao som de dolente violão, solando valsas de outrora.
Afinal, vale citar, a respeito de tudo isso, a frase de Pablo Neruda, poeta chileno: “Sou dado às estrelas, afortunado entre nuvens e inspetor do céu noturno.”
Maceió, março de 2019.
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