Só se conhece o passado quem registra o presente, quando se registram os fatos e feitos ocorridos em cada tempo se está perpetuando a história como guardiã dos fatos como elos vivos na corrente viva da história. No ponto artístico àqueles que são como os pirilampos, nas noites escuras sem lua, piscando no chamamento da companheira para o acasalamento na perpetuação da espécie, em comparação homônima e fraca, entendo também, que além dos jogos de luzes emitidos em cores fosforescente que encantam, são também os astros pedindo para não serem esquecidos pela mídia do presente, mas esses cuidados estão se apagando aos poucos como as escassez dos responsáveis por essas luzes como a dos pirilampos, porque a preservação dos valores estão se diluindo do campo luminoso da história como rainha, para darem lugar a “astrengos” feitos com dinheiro e a beleza.
O ano de 2019, está fazendo 100 anos de nascimento de um grande astro e estrela de primeira grandeza da música popular brasileira, nascido Ataulfo Alves de Souza, artisticamente, Ataulfo Alves, aos 02 de maio de 1909, filho do casal Severino Alves de Souza e Matilde Alves de Souza, seu pai, Severino, tocava e cantava com desenvoltura, porém, teve uma vida efêmera, vindo-lhe tolher uma vida em ascendência, entretanto deixou um legado especial, o dom da música que o filho Ataulfo herdou com desvelo e confiança. Em vista de possuir facilidades tendenciosas para o mundo artístico, com sua voz anasalada ia gradativamente conquistando seus espaços, todavia coube ao compositor Alcebíades Barcelos o descobridor de Ataulfo Alves que nesse interim conheceu Carmem Miranda, que ao ouvi-lo gravou em 1934 a música Tempo perdido de Ataulfo, e que foi sua primeira música, mas só com Saudades de meu barracão de Ataulfo gravado por Floriano Belham e o Bando da lua que despontou com relevante sucesso na época.
Em 1941, Ataulfo Alves gravou o imortal Leva meu samba e Alegria na casa de pobre, mas na manga do tempo, estava Ai que saudades da Amélia e Não posso viver sem ela, e daí em diante abriram-se as portas da música para o artista Ataulfo Alves.
Mario Quintana (1906 – 1994) escreveu: “ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentro de todas as outras”, assim era a voz privilegiada de Ataulfo, porque era um poeta da música, a sua academia de samba eram as Pastoras que pareciam dar vidas as suas músicas, quem não dançou Mulata assanhada, Pois é, Na cadência do samba, Meu samba minha vida, quem não deixou cair dos olhos uma lágrima furtiva ouvindo Miraí e Professorinha? Como escreveu Joaquim Setanti: “as lágrimas são as palavras da alma”.
Esses valores a exemplo de Ataulfo Alves carecem de ser preservados e mostrados a posteridade, não sendo como os pirilampos que ainda flamejam, mas os verdadeiros legados são imortais, mormente quando este ano da graça, comemora-se o centenário de nascimento de tão ilustre figura artística, não fiquemos num mero artigo, mas pode ser também o protótipo de grandes homenagens ao inesquecível Ataulfo Alves.
Os anos cansam o corpo, vergando-o para a terra de onde veio, e finalmente no dia 20 de março de 1969, faleceu o artista Ataulfo Alves, mas sua voz continua viva e cantada nas festas que se prezam, a arte, perpetua-se no tempo e chega a eternidade como escreveu Robert Anson (1907 – 1988), “uma geração que ignora a sua história, não tem passado nem futuro”.
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