Este ensaio é dividido em 3 partes: I - Os liberais (ou quase); II - O lulismo; III - O conservadorismo tupiniquim. Agora, disponibilizo a prima parte. Esta é uma tentativa despretensiosa de compreender a realidade fatual contemporânea. E, claro, está aberta à crítica.
I - OS LIBERAIS (OU QUASE)
Por que muitos liberais não adotaram o slogan antifascista contra um governo que, não só simbolicamente se manifesta como fascista, mas legitima o fascismo, de algum modo, através de discursos, atos, práticas? Primeiro, ninguém é obrigado a adotar coisa alguma, defender nenhuma bandeira, tomar partido. Isto é um princípio mor liberal. O problema desse princípio é que ele se fragiliza em situações de injustiças. A manutenção dele nessas situações implica em indiferença. E, como se sabe, a indiferença não é uma virtude política, muito menos moral. Mesmo frente a tais situações de injustiças graves, alguém pode alegar o seu direito de ser livre para fazer o que bem quiser. Corretíssimo! Porém, feito isso, não pode alegar que contribui para o processo civilizatório. Pôr a liberdade em ação em defesa da justiça é uma das mais elevadas categorias do agir livre, da autonomia, é a liberdade que corresponde à civilização, aquela que Immanuel Kant diz ser motor da razão e capaz de reconhecer em cada ser humano a sua humanidade, isto é, é ver e tomar cada pessoa como um fim em si mesmo.
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Literatura: "O caldeirão da falibilidade: uma crítica à indiferença"
LiteraturaPor Adriano NUnes 05/06/2020 - 00h 44min Arquivo Pessoal
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