Cresci sem conviver com meu pai. Sabia algumas coisas sobre ele pelas histórias da minha mãe e, durante muito tempo, carreguei comigo a vontade de conhecer esse outro lado da minha origem.
Até que uma viagem a Recife me deu essa oportunidade.
Com poucas informações, uma foto no celular e muita curiosidade, fui atrás de um endereço onde ele havia morado muitos anos antes. Perguntei num canto, procurei noutro, até encontrar pessoas que o conheceram.
E, aos poucos, fui conhecendo meu pai pelas lembranças dos outros que conviveram com ele.
Descobri histórias, seu jeito brincalhão, suas aventuras pelo sertão baiano e alagoano e características dele que, curiosamente, também reconhecia em mim.
Naquele dia, descobri também que meu pai já havia falecido.
Mas a busca ainda guardava uma surpresa: eu tinha cinco irmãs que não conhecia.
Horas depois, estava em Olinda, diante de uma delas. Quando Valéria me viu, nos abraçamos.
Naquele abraço apertado e verdadeiro, tive a certeza de que estava em casa.
Vieram outras irmãs, sobrinhos, histórias, fotografias e pedaços de uma vida que também faziam parte da minha.
Não tive a oportunidade de conhecer meu pai pessoalmente. Não pude ouvir suas histórias contadas por ele, escutar suas gargalhadas ou receber o abraço que gostaria de ter recebido.
Mas naquele dia compreendi que nós também nos conhecemos quando conhecemos nossos pais, nossa história e nossas origens.
Fui a Recife procurando respostas.
Voltei com uma família maior e conhecendo um pouco mais de mim mesmo.
E terminei o texto, em 2012, de uma forma que não mudaria hoje:
“Eu disse que ia encontrar a minha família… Encontrei!”
†José Marques de Vasconcelos nasceu em 27 de dezembro de 1936 e faleceu no dia 29 de janeiro de 1996.
José Marques de Vasconcelos Filho
31 de outubro de 2012.
O DIA EM QUE CONHECI MEU PAI
CrônicasJosé Marques de Vasconcelos Filho 17/08/2026 - 17h 33min
Foto: Acervo do Autor
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