O MENINO DE LENÇO E ESTRELAS

Crônicas

Alberto Rostand Lanverly Presidente da Academia Alagoana de Letras

Quando os cabelos começam a ganhar a tonalidade prateada, percebemos, pouco a pouco, o avançar do tempo e quantos acontecimentos decisivos orientaram nossa caminhada.

Muitos deles pertencem a décadas distantes, mas permanecem tão vivos na memória que parecem ter ocorrido ontem. Há experiências que o calendário não apaga, porque ajudaram a moldar quem somos.

Entre as páginas mais luminosas que trago na memória, e considero mais valiosas em minha formação humana, guardadas com especial ternura, uma ocupa lugar especial: o período em que integrei o grupo de escoteiros do Colégio Marista.

Naquele tempo, como membro da Patrulha Pantera, vivi aprendizados que ultrapassaram a adolescência e alcançaram toda a minha existência. aprendi lições que não cabiam apenas nos livros.

Foi entre os treze e os quinze anos que compreendi valores essenciais para a construção do caráter.

Passei a ter a certeza que a verdade é bússola segura para qualquer jornada; que Deus caminha ao lado dos que creem; que respeitar o próximo é honrar a própria humanidade; que a lealdade sustenta amizades e que um sorriso sincero pode iluminar dias inteiros.

Descobri também a importância da disciplina, da economia, da solidariedade e do compromisso com o bem comum.

No escotismo, os ensinamentos não ficavam apenas nas palavras. Eram vividos no cotidiano. Naquele universo de descobertas, cozinhar era ciência, o esporte era celebração, e estar alerta era uma forma de amar a vida.

A flor-de-lis, o lenço no pescoço, os três dedos erguidos com o polegar abraçando o mindinho, não ficaram presos ao passado. São sinais que atravessaram os anos e ainda conversam comigo nas manhãs de hoje.

Mais do que emblemas de uma juventude distante, tornaram-se referências permanentes de princípios que ainda iluminam meus dias.

Agora, na estação generosa da avosidade, esforço-me para que não adormeça o menino que mora em mim. Porque envelhecer não deveria ser perder a infância, mas aprender a levá-la pela mão até o fim da caminhada.

Se ainda carrego esse menino comigo, devo muito àquele jovem escoteiro que um dia descobriu, entre trilhas e amizades, o verdadeiro sentido de viver.

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