Qual a necessidade da observância do jejum, sobretudo na Quaresma?

Crônicas

Por Padre Adauto Alves Vieira

A Igreja, por meio do Prefácio da Quaresma III, afirma que o jejum e a abstinência, quando postos em prática, têm como objetivo quebrar nosso orgulho. De igual modo, é um convite a que imitemos a misericórdia e a bondade do Pai, buscando repartir o pão com os mais desprovidos.
Desta forma o seguidor de Cristo deve ter a força de esquecer-se de si próprio, não pensar somente no seu bem-estar, mas ter em vista o bem do seu semelhante.

Outro sentido do jejum é lembrarmos que a sensação ocasionada pela fome conscientiza-nos que a vida pertence a Deus. Aquilo do qual nos alimentamos para garantir nossa subsistência é dom de Deus, provém de Sua bondade o tempo todo. Nós não somos donos da vida. A vida não se dá em nós como se fosse uma faculdade nossa para dela fazermos o que bem quisermos; ela acontece em nós como um dom, isto é, graça de Deus. Destarte, ela entra em nós pelo ar o qual respiramos o tempo todo, pelo alimento com o qual nos nutrimos, bem como pela água que bebemos.

Fica aqui uma dica, passemos pela vida não somente em brancas nuvens. Não estejamos no mundo apenas como meros transeuntes, mas interprendendo nossa existência em algo no qual ela possa encontrar verdadeiro sentido.

Impulsione-nos o Espírito de Deus, para que a exemplo de Cristo, façamos de nossa vida um exercício constante de serviço aos irmãos, mostrando-nos misericordiosos e solidários para com "os pequenos e pobres", oferecendo, outrossim, nossos cuidados pelos doentes e mais necessitados, tornando-nos deles amigos, certos de tê-los como anfitriões em cujas moradas celestes hão de nos receber agradecidos.

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