“Eu lutaria com uma pessoa por você…” Lutaria, sim. Se alguém tentasse ferir você, humilhar você, tirar sua paz ou atingir aquilo que em você considero precioso, talvez me encontrasse no caminho. Há pessoas pelas quais a gente enfrenta situações que normalmente evitaria. Não porque sejam incapazes de se defender, mas porque certos afetos nos fazem dizer, silenciosamente: daqui não passa. Existem batalhas que assumimos simplesmente porque alguém passou a importar mais do que a nossa própria comodidade.
“…mas eu nunca lutaria com uma pessoa por você.” Nunca disputaria sua atenção, seu afeto, sua presença ou um lugar na sua vida. Se outra pessoa precisasse ser vencida para que eu fosse escolhido, a minha primeira escolha seria sair. Não nasci para convencer ninguém do meu valor, muito menos para competir por sentimentos. Posso lutar para proteger você de alguém… mas jamais lutaria contra alguém para possuir você. Porque afeto que precisa de campeonato já perdeu alguma coisa antes mesmo de começar.
E talvez seja exatamente aí que a frase se torna perigosa: “Eu lutaria com uma pessoa por você, mas eu nunca lutaria com uma pessoa por você.” Parece contradição, mas é limite. Numa situação, eu permaneço porque você está sendo ameaçado. Na outra, eu desapareço porque sou eu quem está sendo colocado à prova. Posso enfrentar muita coisa para continuar ao lado de alguém… só não enfrento alguém para obrigá-lo a me manter ao seu lado. Certos lugares, quando precisam ser disputados, talvez nunca tenham sido realmente nossos.
Pe. José Neto de França
Sacerdote, Nutricionista Integrativo e Escritor
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