"Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo. Olha para aquele balão multicor, que lá no céu vai subindo." Foi numa noite de São João, igual a esta, que lhe dei meu coração. Cantou e encantou para sempre o Gonzagão, exaltando a figura enigmática de São João.
O período junino foi trazido de Portugal para o Brasil pelos jesuítas, que começaram a semear as primeiras sementes do Evangelho. A essa atitude juntava-se a defesa dos escravos das fazendas de café e de gado, enriquecendo os fazendeiros que, em seus feudos, obrigavam centenas de escravos a trabalharem de graça, a ferro e fogo. Como o ouro, para ficar mais brilhante, talvez seja uma metáfora, mas o homem se conhece pelo trabalho honesto.
Mas a ação dos jesuítas no Brasil não agradou ao Marquês de Pombal, que era o "todo-poderoso" do rei de Portugal, Dom João III. Dominava Portugal, o Brasil e as terras pertencentes a Portugal, denominadas de Algarves, mas parecia ser subserviente ao seu vassalo. Sutilmente, perceba-se, nas entrelinhas da história, que o rei admirava o trabalho de seu feitor. Tanto foi assim que Dom João, tomando conhecimento do trabalho frutuoso dos jesuítas em favor dos índios e, posteriormente, dos escravos, que lhes ensinavam a ler, ministravam aulas de catequese e lhes mostravam o caminho da liberdade, desagradou aos fazendeiros do café. Houve grande debandada de escravos e índios, protegidos pelos religiosos, aumentando ainda mais a raiva dos fazendeiros, que ganhavam muito dinheiro porque a mão de obra era gratuita.
Mesmo diante desses impasses, o Imperador autorizou que, onde houvesse uma capela, fosse construída uma escola em anexo, porque a afluência de índios e escravos era grande. Isso levou o Marquês de Pombal a expulsar os jesuítas, atendendo aos reclamos dos "rigobelos" do café. Posteriormente, os franciscanos foram colocados no lugar dos jesuítas; talvez o trabalho deles fosse mais conivente com o Marquês.
Mas é inegável que foram os jesuítas que introduziram no Brasil as festas juninas, com cantos, quadrilhas, danças, balões e outros brinquedos populares. Gradativamente, iam introduzindo o homem na sociedade, cujo ideal encontrou, no Nordeste brasileiro, um terreno fértil e próspero, percorrendo todo recanto nordestino para animar os festejos juninos. Criaram-se os fogos de artifício, que enfeitavam os sertões adentro, mas somente no São João, sem esquecer as famosas fogueiras, que pareciam iluminar as noites sertanejas, as novenas, as vaquejadas e tantas outras festas. Enfim, festas sem fogos tornam-se sem graça.
E, neste ano de 2026, as autoridades maiores, por meio de uma lei com "l" minúsculo, instituíram a extinção dos fogos estrondosos e dos shows pirotécnicos. As pessoas portadoras de doenças graves e até os cachorros foram beneficiados. Na minha cidade, Olho d'Água das Flores, a noite de São João assemelhou-se ao velório de uma autoridade; nem os carros buzinaram.
Finalmente, as leis invioláveis, a exemplo da Lei nº 9.146/2024, do deputado estadual Léo Loureiro, que parece ter sido o protótipo dessa lei, sancionada pelo "todo-poderoso" alagoano Paulo Dantas e, posteriormente, acatada pelo "todo-poderoso" brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, fizeram do silêncio a tônica maior. Mesmo sendo o Brasil um país laico, todos respeitaram a extensão da lei.
Vozes de ouro, a exemplo de Gonzagão, Trio Nordestino, Marinês, Ari Lobo, Zé do Rojão, Afrodízio, Roselino (Roso), Zé Calixto, Antônio de Mané Chico, Edmilson do Acordeon, Cremilda e tantos outros, calaram suas famosas sanfonas em respeito às leis do país.
Comentários