Na minha época de estudante assisti a mesma pesquisadora na universidade. Segundo a mesma, aqui nesta cidade existe um filho de Corisco, que foi do bando de Lampião, tonando-se famoso com o nome de “Diabo Louro” em vista de sua vasta cabeleira loura, que seu filho Dr. Silvio Bulhões possuía um cacho desse cabelo, cortado por ele quando no sepultamento das cabeças do bando, ele guardou como lembrança de seu pai como uma relíquia. O diabo louro ficou também famoso devido a suas atrocidades. Quando numa de minhas visitas a Dr. Silvio Bulhões em Maceió, tive a oportunidade de pegar no cacho de cabelo de Corisco. Ao escrever estas linhas Dr. Silvio já é falecido, certamente, sua família guarda. A presença de Lampião na então vila de Olho d’Água das Flores, serviu também de inspiração para o Príncipe dos poetas alagoanos, Dr. Jorge Mateus de Lima, que em seu livro Poesia Completas, às páginas 236 e ss. Na sua poesia intitulada Floriano, Padre Cícero e Lampião, onde o autor do Acendedor de Lampião, diz: “...Lampião bêbado, os cem cabras bêbados e a fama de Lampião fazendo medo, e crioulas, matutas sertanejas, estupradas, servindo cachaça aos heróis, cabras, proibidas de chorar, vendo o pai, vendo o irmão, mortos, no chão. Fazendas incendiadas, roças devastadas, coronéis reféns, Paulo Afonso, Água Branca, Olho d’Água das Flores, invadidas, arrasadas...”, convém registrar que o filho de Corisco, Dr. Silvio, não foi entregue a ninguém de Olho d’Água das Flores, mas ao Padre José Bulhões de Santana do Ipanema que o criou e educou. Poetas e prosadores se ocuparam desse tema de Lampião nesta terra, uns narravam a história friamente, outros jocosamente, como esta quadra de autor anônimo registrada pelo escritor e Juiz de Direito, Dr. Wilton Moreira da Silva, em seu livro, Umburana, Dr. Wilton já é falecido. A quadra colhida pelo escritor é esta: “Cajueiro está de luto/ Santana de sentimento/ Olho d’Água de portas abertas/ e Lampião dançando dentro”. O Coronel Libruíno gostava de ouvir essas histórias contadas por Vinte e Cinco, que era egresso do bando de Lampião, que nem se apercebeu que a noite caia e a lua estava nascendo por trás das velhas craibeiras que sombreavam o terreiro da casa grande, levantando-se disse: “Vinte e Cinco, você vai pro samba lá no Guarani, vai ser na casa de Duardo. É Satuba, coroné? É mesmo lá. Então vamos ciá (tomar café) que a veia deve tá cá peste de raiva. E quem vai cantar o samba é Rosendo Bardo, Miguel Valério e Machado do Pedrão. Aqui prá nossa saúde, Vinte e Cinco, falei com comadre Maria Croá para ela levar as meninas, Clarindo do Guarani convidou Gerdulino, e vai ser um samba do cu da peste, a veia vai papocar de raiva. O Coronel Libruíno era um sessentão fornido, lia e escrevia com facilidade sendo cubador de terra, mulherengo, comedor das moradoras de sua fazenda. Mas mesmo assim, tinha muito medo da esposa, Dona Marinésia Ferreira, que quando arrestavam por causa das puaras (prostitutas), o Coronel a chamava de Dona Magnésia.
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