O INVERNO QUE PASSOU SEM CHEGAR

Antonio Machado

Os fenômenos cíclicos foram criados pela sapiência da natureza, variando de cada região para sobrevivência dos seres das mais diferentes formas de vida que povoam o mundo. Não vou tentar escrever as regiões do planeta, isto me seria impossível, visto não possuir as condições para um trabalho tão grande e dimensão de valor. Sertanejo como sou, situo-me na região sertaneja, uma das mais belas regiões o sertão, não fosse as intempéries da própria natureza, não haveria lugar melhor de se viver, sendo a água o elemento indispensável a todos os seres, os estudos nesse quesito mostram a água do globo dividida em quatro partes, composta de ¾ da Terra ser coberto por água, ficando o restante para a terra seca, com uma capacidade abaixo do necessário, prejudicando sensivelmente a agricultura e todos os seres.

Vejamos, pois, o inverno de 2026, projetou-se como um dos melhores inverno das Alagoas, o que não veio em tempo hábil, os agricultores e fazendeiros prepararam os terrenos pensando nas boas perspectivas com algumas trovoadas esparsas, muitos fizeram plantações de milho e sorgo para silagem, como ração para o rebanho, e eis que o inverno não veio, vindo em seu lugar a seca, prejudicando os fazendeiros que não conseguiram lograr nesse trabalho tão carregado de despesas. O milho quase nada deu para o silo, o feijão não deu nada, e enfim, o inverno chegou ao fim sem ter vindo, e a boca de verão está instalada, trazendo consigo, o calor abrasador, não fosse a água encanada do Rio São Francisco, os caminhões pipas do Governo e o avanço do Canal do Sertão, o sertão estava mais pobre, porém, tende a melhorar mais, na iniciativa do governador Dr. Geraldo Bulhões, que sendo sertanejo e sensível as suas agruras, deu o pontapé inicial do Canal do Sertão ao longo do seu governo e os demais gestores continuaram, arrefecendo em algumas partes, mas continuou o trabalho meritório, empreendimento de grande monta, para nós sertanejos. Tão logo seja concluído sentir-se-á e o sertão mudará sua face. “Será um novo sertão”.

A agricultura para o homem é um trabalho pesado, afirmo com conhecimento de causa, haja vista ter trabalhado na roça, na lavoura, por cerca de 25 anos, enfrentei secas e dessabores onde o sol parece mais quente, quando o inverno se prenunciava bom, não vinha, e quando chegava, era curto, e nós, pobres sertanejos pagávamos com o suor e o trabalho esses fenômenos cíclicos.

E a palma forrageira? Que fora o alimento de várias décadas, originaria dos Estados Unidos da América, trazida pelo desbravador do sertão, Delmiro Gouveia, em 1913, cujo cacto adaptou-se muito bem no sertão, hoje parece um espantalho, poucas regiões ainda resistem, levando os fazendeiros e agricultores a se valerem dos silos magros, do milho e até da palha da cana para alimentar os seus rebanhos. As secas periódicas dizimaram a palma forrageira, que tanto bem causou aos fazendeiros.

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