Os fenômenos cíclicos foram criados pela sapiência da natureza, variando de cada região para sobrevivência dos seres das mais diferentes formas de vida que povoam o mundo. Não vou tentar escrever as regiões do planeta, isto me seria impossível, visto não possuir as condições para um trabalho tão grande e dimensão de valor. Sertanejo como sou, situo-me na região sertaneja, uma das mais belas regiões o sertão, não fosse as intempéries da própria natureza, não haveria lugar melhor de se viver, sendo a água o elemento indispensável a todos os seres, os estudos nesse quesito mostram a água do globo dividida em quatro partes, composta de ¾ da Terra ser coberto por água, ficando o restante para a terra seca, com uma capacidade abaixo do necessário, prejudicando sensivelmente a agricultura e todos os seres.
Vejamos, pois, o inverno de 2026, projetou-se como um dos melhores inverno das Alagoas, o que não veio em tempo hábil, os agricultores e fazendeiros prepararam os terrenos pensando nas boas perspectivas com algumas trovoadas esparsas, muitos fizeram plantações de milho e sorgo para silagem, como ração para o rebanho, e eis que o inverno não veio, vindo em seu lugar a seca, prejudicando os fazendeiros que não conseguiram lograr nesse trabalho tão carregado de despesas. O milho quase nada deu para o silo, o feijão não deu nada, e enfim, o inverno chegou ao fim sem ter vindo, e a boca de verão está instalada, trazendo consigo, o calor abrasador, não fosse a água encanada do Rio São Francisco, os caminhões pipas do Governo e o avanço do Canal do Sertão, o sertão estava mais pobre, porém, tende a melhorar mais, na iniciativa do governador Dr. Geraldo Bulhões, que sendo sertanejo e sensível as suas agruras, deu o pontapé inicial do Canal do Sertão ao longo do seu governo e os demais gestores continuaram, arrefecendo em algumas partes, mas continuou o trabalho meritório, empreendimento de grande monta, para nós sertanejos. Tão logo seja concluído sentir-se-á e o sertão mudará sua face. “Será um novo sertão”.
A agricultura para o homem é um trabalho pesado, afirmo com conhecimento de causa, haja vista ter trabalhado na roça, na lavoura, por cerca de 25 anos, enfrentei secas e dessabores onde o sol parece mais quente, quando o inverno se prenunciava bom, não vinha, e quando chegava, era curto, e nós, pobres sertanejos pagávamos com o suor e o trabalho esses fenômenos cíclicos.
E a palma forrageira? Que fora o alimento de várias décadas, originaria dos Estados Unidos da América, trazida pelo desbravador do sertão, Delmiro Gouveia, em 1913, cujo cacto adaptou-se muito bem no sertão, hoje parece um espantalho, poucas regiões ainda resistem, levando os fazendeiros e agricultores a se valerem dos silos magros, do milho e até da palha da cana para alimentar os seus rebanhos. As secas periódicas dizimaram a palma forrageira, que tanto bem causou aos fazendeiros.
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