POEMA PARA O PEDRÃO

Antonio Machado

Quando da realização de uma festa em homenagem aos pais, no povoado de Pedrão, município de Olho d'Água das Flores, as pessoas José Machado Vilar, Zefinha Costa, José Venâncio e outros, no dia 12 de setembro de 2000, resolveram organizar uma festa em homenagem aos pais naquele ano, que certamente atrairia as pessoas daqueles arrabaldes.

Aquele evento realmente marcou um ponto na história daquele povoado, que vinha parado no tempo havia muitos anos. Foi um ponto de partida para outros eventos que vieram a acontecer. Hoje, passados 26 anos do primeiro evento desse naipe, outros se desdobraram, e o povoado vem gradativamente crescendo. Possui luz elétrica, água encanada, internet, escola de primeira qualidade e asfalto até a sede, numa extensão de 4,5 quilômetros, além de outras benfeitorias realizadas nas gestões que se sucederam.

Os organizadores pediram-me que eu escrevesse um poema em homenagem ao Pedrão, que fora fundado em 1875 pelo cidadão Ponciano Machado Vilar, que construiu uma capela em homenagem à Imaculada Conceição, festejada todos os anos, no dia 8 de dezembro, pelo povo da comunidade.

Mesmo sem ser poeta, aceitei o desafio. E aqui está o poema:

PEDRÃO

Pedrão de Ponciano,
Que todo ano festejava
A Imaculada Conceição.

Pedrão do vapor de Calixto,
Que tudo isso o povo não esqueceu;
Do reisado de Mané Coleta
E de Domingo, o Mateu.

Pedrão de Pilício Neris
E Lelo do sindicato;
De Jacira e Antônio Izaú;
Pedrão de Floro Machado,
De Eduardo do Guarani.

Pedrão de Zé Justino,
Brigando com os meninos
Para não tomar banho na lagoa.

Pedrão das sentinelas chorosas,
Das moças vestidas de rosas,
Indo para a capela rezar.

Pedrão de Júlia Muda,
De Luzia e Dona Firmina,
A parteira que tantos meninos pegou.

Pedrão de Maria Andrade,
Rezando com Biá,
E Manuca Caboclo tocando no sino,
Chamando o povo para rezar.

Pedrão dos casamentos ocultos,
Feitos por Dorinha do Guarani;
Do circo de Chiclete,
Cantando piadas para o povo sorrir.

Pedrão das novenas do Cruzeiro,
Arrancado sem pena
Da frente da igreja,
Escondido no mato da serra,
Ao céu a implorar
Para de novo voltar
Para sua terra.

Pedrão de ontem e de hoje,
Das coisas boas;
Dos banhos da lagoa
Nas noites de luar.

Pedrão dos lampiões de gás,
De Manoel Anastácio,
De Barrinho,
Da professora Espedita de Cocó.

Pedrão dos pagodes de Rozendo Baldo;
Pedrão do ferreiro Perneta,
Batendo ferro
E conversando só.

Pedrão de Santa Crente,
De Luiz Percinha;
Pedrão de Jamoca,
De Adília e Mané Inspetor.

Pedrão de Mané Simião,
De Cascaio e Antenor;
Pedrão de Marreca,
Do reisado de Lucila,
Fazendo animação.

Pedrão, terra de gente boa e de valor,
Um povo pacato e trabalhador.

Quantas pessoas foram lembradas neste modesto poema, como resgate daqueles que, de uma forma ou de outra, deram suas contribuições para que o povoado chegasse onde está! E muito mais vem por aí.

Mas estes nomes jamais serão esquecidos, porque fizeram parte da história do Pedrão, plantando as primeiras sementes do progresso numa terra em que, se plantando, tudo dá.

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