Colunistas: É POSSÍVEL OBRIGAR DEUS A AGIR? QUANDO A RELIGIÃO ESQUECE QUEM É DEUS

Literatura

Pe. José Neto de França

Li recentemente em alguns perfis das redes sociais uma afirmação atribuída a um líder religioso que me causou profunda inquietação: “a oferta obriga Deus a abençoar”. Confesso que, ao ler essa frase, não consegui evitar uma pergunta incômoda: desde quando o Criador do universo passou a ser subordinado às decisões de suas criaturas? Se uma oferta tem o poder de obrigar Deus a agir, então já não estamos falando de um Deus soberano, mas de uma divindade domesticada, manipulável e condicionada à vontade humana. Nesse caso, a oração deixa de ser diálogo e a fé deixa de ser confiança para se transformar em uma simples transação comercial.

A questão é ainda mais grave quando observamos as consequências teológicas dessa ideia. Se alguém pode “obrigar” Deus a fazer algo, então onde ficam sua onipotência, sua onisciência e sua absoluta liberdade? Um Deus que pode ser constrangido por dinheiro, promessas ou barganhas não é mais Deus; é apenas uma projeção dos desejos humanos. A Escritura está repleta de exemplos de pessoas que ofereceram sacrifícios, fizeram votos e derramaram lágrimas sem jamais tentar colocar Deus contra a parede. O verdadeiro ato de fé não consiste em pressionar Deus a fazer a nossa vontade, mas em confiar que a vontade d’Ele é maior do que a nossa.

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