Karl Jaspers em "Die Schuldfrage" diz que "cada ser humano é corresponsável pelo modo como é governado", ao falar da culpa política. Essa constatação de que somos responsáveis, em parte, pelas ações do Estado, isto é, do governo de um Estado, leva-nos a refletir sobre como é importante escolher bem os políticos que nos irão governar (aqui, no sentido político), por diversos motivos.
Um desses motivos é a própria consciência da culpa política que pode advir por ter feito uma péssima escolha representativa. Parece nunca ser fácil escolher politicamente aqueles (as) que nos representarão de forma geral. Primeiro, porque os interesses dos(as) eleitos(as) não se confundem in totum com os dos indivíduos nem mesmo com os das comunidades que, por projeção, se veem representadas.
Há uma crise de representação não apenas por que os políticos decepcionam enquanto entes representativos de uma comunidade, mas porque também se espera, por legitimidade e ingenuidade, por crença na política e na boa vontade, que a representatividade corresponda a nossas expectativas políticas. Como é mesmo praticamente impossível atender tantos anseios morais, éticos, religiosos, partidários, sociais, etc., a política da representação faz-se sob o alicerce da realidade o qual nos aterroriza, sob certa perspectiva, porque, ainda que tenhamos consciência de que a verdade não é uma virtude política (como ensina Hannah Arendt!), buscamos cegamente mergulhar na crença de que o discurso e a práxis dos políticos são uma verdade inconteste e que os "meus escolhidos" serão os melhores escolhidos.
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Colunistas: A responsabilidade de ser governado - por Adriano Nunes
LiteraturaPor Redação com Adriano Nunes 18/11/2019 - 20h 34min Arquivo Pessoal
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