A MORTE DOS GIGANTES SEM DIREITO A FLORES

Crônicas

Clerisvaldo B. Chagas

TÊNIS CLUB EM 2013. (FOTO: Livro 230/B. Chagas).

Quem viveu quase toda a segunda metade do século XX, deve ter gozado da formação e realizações dos três clubes gigantes de Santana do Ipanema, os centros das diversões e congregadores da Cultura regional sertaneja. Tempo do rádio, não televisão, não celular, não computador. Sim, o reisado, sim, o pastoril, sim, os grandes bailes, sim, as novenas, sim, os banhos no rio Ipanema, sim o grande São João, sim, os grandes Carnavais. E neste século XXI, nada contra a evolução geral da humanidade. Nada de saudosismo sem fundamento, mas um olhar prático e sensível nos anais da história e as estações obrigatórias dos defeitos. Os três gigantes, Tênis Club Santanense, Sede dos Artistas e Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, representam também outros gigantes: DNER, DNOCS, Instituto Colégio Sagrada Família, Posto de Puericultura, Ipanema Atlético Club e Ipiranga do futebol.

O orgulho dos trabalhadores (Sede dos Artistas), os orgulhos da Elite (Tênis Club e AABB) foram se degastando ao mesmo tempo em que as novidades de divertimentos em casa, foram surgindo. Seus fundadores e abnegados defensores, foram morrendo e mais nova geração não conseguiu mais editar os antigos feitos dos gigantes A geração novíssima, já de nada sabia sobre a vida dos três clubes. Os sócios se afastaram e não havia mais motivação para continuar com despesas de clube e da diversão em casa. Primeiro faleceu a Sede dos Artistas. Os dois clubes restantes resistiram até este primeiro quarto do século XXI; então caiu a AABB, logo depois era anunciado o óbito do Tênis Club Santanense, sem alarde, sem grito, sem zoada, sem choro, sem vela, SEM FLORES.

As memórias são apenas para os antigos. Mas, o que fazer agora com os dois velhos caarões que ainda estão de pé? Serão demolidos? Serão transformados em museus, secretarias, escolas, hospitais... Como às vezes a história é cruel com os sobreviventes. Convido a Estação Rodoviária para fazer parte desse sepultamento coletivo. E, como foi dito acima: sem choro, sem vela e SEM DIREITO A FLORES.

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