AMANHECI APAIXONADA

Crônicas

Lúcia Nobre

Amanheci apaixonada ouvindo Roberto Carlos. Everaldo quando abre os olhos liga o rádio e a música chega me deixando mais apaixonada. Apaixonada pela vida, pelo amor, por meu amor, por todos os meus amores. Sempre lembrando que a vida é maravilhosa, não importa como, onde estejamos, com saúde, com um pouco de dor, com muita dor, não importa. O que importa é a esperança que cada dia é um dia novo. E que cada dia se renova, porque a fé que temos nos sustenta. Sempre fui apaixonada e disposta para a vida. Na juventude, quando ia trabalhar logo de manhã, claro, ia andando pelas ruas de minha cidade até o trabalho. Quando olhava pra dentro de uma casa e via um idoso ou uma idosa dormindo em uma rede, pensava: só quando ficar bem velhinha. Assim sou. Gosto de trabalhar, trabalho é acima de tudo vida. Seja qual for o trabalho sempre será digno. Sim, mas voltando a euforia do amor, de amar a todos os meus amores, ouvindo Roberto Carlos, agora uma música leva-me lá atrás, claro a Santana do Ipanema. E bote tempo atrás. Roberto e Erasmo cantam "Sentados à beira do caminho". De repente, estávamos eu e meus irmãos, sentados nas cadeiras do bar "Comercial" mortos de sono, tínhamos trabalhado a noite toda, última noite da festa da Padroeira de Santana, Nossa Senhora Santana. O bar já estava vazio, alguns matutos cochilando, pouca gente na rua, algumas pessoas que vinham do baile do Tênis Clube de Santana, passavam por lá, queriam café. A música de Erasmo Carlos tocando, lá no parque de diversões, na praça senador Enéas Araújo. "Eu não posso mais ficar aqui a esperar que um dia você volte para mim". A música é "Sentados à beira do caminho". E eu e meus irmãos esperando papai decidir fechar o bar. Tínhamos que dormir um pouco. Não sei quem ia primeiro, nossa turma ou a turma do parque de diversões.

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