RETALHOS DA VIDA; DESFAIOS DA FÉ & PENSAR: POR QUE PENSAR? (*)

Outras Peças Literárias

Pe. José Neto de França

Caríssimos,

A exemplo do pronunciamento que fiz, no lançamento de meu 3º livro, “Fragmentos de mim”, inicio esta minha fala com a última mensagem dirigida a mim pelo meu amigo, irmão, filho, Marcos Menezes, em uma postagem no meu “Facebook”, três dias antes do acidente que o vitimou: “O existencialismo é uma marca em poucos escritores e pensadores contemporâneos.” (Marcos Menezes – 04 de maio às 23h30 / Faleceu dia 7/05, 22h30) . Uma homenagem que faço àquele que acompanhei desde a adolescência e que sabia que ele também me via e me considerava como um pai. Que ele continue repousando no coração de nosso Deus.

De fato, considero-me existencialista, mas na linha cristã. A vida não se acaba com a morte física. Ela não é “um muro” como afirma o niilismo sartriano, mas apenas uma passagem para o eterno.

Pensar é comum ao gênero humano; transformar pensamentos em textos é privilégio de poucos. Sinto-me também um desses privilegiados. Não que seja ou esteja dentro de um grupo seleto de pessoas que sejam melhores que os demais seres humanos. Não! Simplesmente, nós escritores, possuímos o dom de “dá vida” ao pensamento não somente por meio de atitudes existenciais, mas também através da arte de produzir textos nos mais diversos gêneros.

Como Padre, da Diocese de Palmeira dos Índios, e escritor, membro da ASLCA - Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes, onde assumo a cadeira que tem como patrono o Pe. Francisco José Correia de Albuquerque, e também Sócio Correspondente da APALCA - Academia Palmeirense de Letras Ciências e Artes, nessa passagem dos meus 20 anos de vida sacerdotal, apresento aos meus leitores duas obras, “Desafios da fé” e “Retalhos da vida”, e um CD, “Pensar: por que pensar?”

“Desafios da fé” é o meu 4º livro


Conforme afirmo na introdução desta obra, entre tantas vertentes presentes na vida do homem, está a dimensão da fé. Esta, independente de qualquer tendência social, marca profundamente seu existir; mais ainda, norteia sua própria história.

O homem, por sua própria essência, está sempre crendo em alguma coisa: no outro, em si mesmo, em Deus... Dizer não acreditar em nada é contradizer a si próprio. Em meio a tanto do que já se falou ou se fala diariamente em questão de fé, “Os desafios da fé” é, assim, uma coletânea de textos independentes, que tem como pretensão levar o leitor à reflexão desse tema, numa perspectiva cristã, em relação a si mesmo, ao outro e a Deus.

“Retalhos da vida” é o meu 5º livro


Neste, sigo uma linha semelhante ao 1º, intitulado “Não Ser... Ser! Viver: um grande desafio”, e 3º livro, “Fragmentos de mim”. Nele, com um matiz existencial/contemporâneo/cristão. Aqui, continuo abordando em forma poética, além de momentos, “retalhos” do meu existir que, excepcionalmente, dou matizes filosóficas; temas como política, natureza, religiosidade ou mesmo abstrações diversas; algumas, enigmáticas; coisas da vida! Jogar com as palavras dando-lhes sentido, “vida”, mais que uma arte é uma maneira de colocar para fora, tornar conhecido um pouco de mim mesmo. É uma espécie de catarse onde alivio o peso do existir, as pequenas e grandes coisas que povoam minha memória.

Continuo procurando fazer o leitor identificar-se com cada palavra, poesia; sentir também a necessidade de descobrir a si próprio e em si mesmo, como pessoa e como parte da sociedade, sentimentos, às vezes, adormecidos pelo não exercício do pensar.

CD: Pensar: Por que pensar?


Uma espécie de “recreio” para o meu, o seu pensar! São apenas sete poesias retiradas de minha primeira obra, “Não Ser... Ser! Viver: um grande desafio” e musicadas pelo Pe. Antônio de Pádua Santos Sobrinho e por mim. Cada música, por mim interpretada é iniciada com um pequeno comentário objetivando a reflexão do ouvinte.

Com exceção de linha cristã, fruto da minha formação familiar e acadêmica, não me prendo a nenhuma corrente especificamente. Tenho meu jeito de pensar, enxergar o mundo. Procuro ver o outro, o cosmo, a mim mesmo de diversos ângulos, tirando conclusões, mesmo provisórias, já que a existência está em constante “devir”.

Escrevo, frequentemente, com o objetivo de provocar o leitor, numa tentativa de fazê-lo despertar para a vida, seja intelectual, seja existencial. Vejo também no "outro" motivação para "olhar" para mim mesmo... Nesse “jogo” de olhar, ver, sentir, imaginar, amplio, alargo minha visão do mundo à minha volta; vejo o que uma visão empírica deixaria escapar, não me prendendo à superficialidade nem tampouco estacionando na “locomotiva” da vida.

Um personagem de Claudel na peça “La ville” diz: “Tu nada explicas, ó poeta, mas por ti todas as coisas se tornam explicáveis”. Nessas duas obras, como nas anteriores, não tenho a pretensão de explicar nada. Ao contrário, fustigo o leitor fazendo-o dar o primeiro passo para “explicar” a si mesmo e ao meio em que vive. Aprofundar-se no saber de forma criteriosa, analítica, lógica dependerá do interesse de cada um.

Obrigado…

(*)Discurso do Pe. José Neto de França por ocasião do lançamento dos 4º e 5º livros e CD, que aconteceu na AABB de Santana do Ipanema, na noite de sexta-feira (14/08) em Santana do Ipanema

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