Foram-se os dias, mas ficaram as lembranças. Lembranças de uma época que jamais se apagará das recordações daquela menina, nos seus quatro aos onze anos de idade. A simplicidade e a inocência de uma criança que viveu puramente o conto de fadas, as modinhas de rodas: “O cravo e a rosa, Quero ver a Margarida, Fui no Tororó, Coelhinho, Coelhinho vem comer feijão, Eu vi uma barata na careca do vovô, Terezinha de Jesus, Atirei o pau no gato, Ciranda Cirandinha, etc.”. A história do Gato de Botas e da Gata Borralheira, de Maria e José, as brincadeiras de avião, de pular corda, de pega-pega, o joguinho de pedras onde existia a cancela armada por uma das mãos, pela qual, as participantes deveriam passar as pedras, enquanto, ao mesmo tempo, jogavam outra para acima, sem deixar que esta tocasse o chão. Às vezes eu trazia do campo as mucunãs ou olho-de-boi, que substituiriam as pedras nesse jogo tão solicitado pela meninada da época. No entanto, uma brincadeira que ao lembrá-la sou tomado pela emoção, “A brincadeira de bonecas”. Vi muitas vezes meu pai comprar na feira de Santana aquelas bonequinhas de pano, algumas com tranças e vestidinho simples, nos moldes da menina sertaneja. Talvez minhas irmãs não imaginassem que existiam outras bonecas mais sofisticadas, e que o meu velho pai não tinha condições de presenteá-las. Aquelas bonecas de pano eram de um significado ímpar, e todas elas recebiam nomes como se fossem reais em suas imaginações. Quantas vezes eu via minhas irmãs conversarem com suas bonecas de pano, enquanto minha doce mãe abraçava os serviços da casa? As crianças de hoje já não desfrutam da singeleza dessas brincadeiras, que tiveram como patronas aquelas outras meninas e que fizeram das cantigas de rodas, das histórias de Trancoso e de suas bonecas de pano, os momentos mais felizes de suas vidas.
Aracaju/SE, 08.06.2015.
BONECAS DE PANO
PoemasRemi Bastos 29/06/2015 - 00h 24min
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