DECISÃO JUDICIAL – UM ENIGMA

Crônicas

Por Luiz Antônio de Farias, capiá

Um atrevido galanteador aproximou-se de uma bela jovem e apresentou a seguinte proposta:

- Por um milhão de reais você seria capaz de fazer amor comigo?
- Por um milhão é razoável, respondeu.
- E por cem reais?
- O que é isso, seu imbecil, está pensando que sou prostituta?
- Essa resposta você deu na pergunta anterior. Agora nós estamos acertando preço.

Esta narrativa tem alguma correlação com a situação lamentável, pela qual vem atravessando nosso país, neste momento de caos institucionalizado, onde são considerados ladrões apenas aqueles que roubam uma galinha – apesar de que este ato poderá ser amenizado se a ilicitude for considerada furto famélico. Enquanto isto os marginais de gravata, principais responsáveis pelos chamados “crimes do colarinho branco”, surrupiam de forma desbragada os recursos oriundos dos escorchantes impostos que todos nós pagamos – frutos de nosso sagrado suor – e para os inescrupulosos não sobra nem uma “Ave Maria” de penitência.

A corrução que sempre imperou entre nós parece que, desta feita, veio para se estabelecer de forma definitiva, “de mala e cuia”. Em outras eras as falcatruas eram dimensionadas em milhões de reais, mas a ganância insaciável dos inimigos do povo tomou um vulto de tal forma que a ambição descomunal passou a ser medida em bilhões de reais.

O escândalo da Petrobras, patrocinado pelo PT – partido pelo qual demonstrei simpatia, em tempos idos – é a bola da vez. Outros escândalos já aconteceram e outros certamente virão, enquanto nosso país galgar o título de campeão da impunidade. Entretanto esse fenômeno não é privilégio (?) do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de um “monstro” que advém de priscas eras. Os outros partidos também tem “culpa no cartório”, porque são todos “farinha do mesmo saco”.

A preocupação de que a apuração da fraude atual vai tomar o destino das demais é porque “já conheço os passos dessa estrada; sei que não vai dar em nada; seu segredo sei de cor” (Retrato em Preto e Branco – Chico Buarque). Isto porque, por enquanto, estão prendendo alguns “gatos pingados”, mas quando as apurações atingirem os políticos – principais mentores e beneficiários – vem o famigerado foro privilegiado, anomalia aprovada pelos próprios interessados (advogar em causa própria), para salvar a pele deles, no momento certo e preciso. O destino poderia ser outro se a justiça, que tem o livre arbítrio, não ficasse, na maioria das vezes, a favor desses demônios que atormentam nossa doce alegria de viver.

Todavia, nem tudo está perdido. Hoje contamos com os recursos das redes sociais que nos possibilitam “botar a boca no trombone”, literalmente. Vamos unir esforços para que esse fato da Petrobras não caia no esquecimento – a exemplo dos demais casos – e possamos colocar por trás das grades esses cafajestes, a quem confiamos nossos votos e que resolvem trair nossa confiança. A sorte está lançada. Vamos à luta.

Quanta saudade dos homens de bem do meu tempo de criança, cuja honradez, dignidade, honestidade, etc. serviam de exemplo para os meninos de então.

Recife, novembro/2014

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