- Eita, que hoje tem show da Mastruz com Leite e Magníficos no sertão!
Todo fim de semana que ia ter show em Santana do Ipanema, a cidade ganhava outro clima. A movimentação no centro da cidade era maior que os dias comuns, as lojas de roupas ficavam lotadas e quem sempre lucrava mais eram as cabeleireiras, que já começavam a arrumar os cabelos das meninas vaidosas ou não, já na sexta-feira a tardinha.
Os amigos começavam a ligar um pro outro, pra confirmar o que já tinha sido acertado a quase 1 mês, quando começaram a divulgar o show.
- Alô, Jorge? É o Marques. Tudo certo pra hoje, né?
- Fala Marques, tudo certinho, agora se ligue... Já falou com Washington e Felipe?
- Já, eles irão pra tua casa umas 9h (Traduzindo: 21 horas)! Beleza?!
- Beleza!
- Aproveitando, vê se tem um carro cor de gelo aí estacionado, em frente a tua casa! Por favor.
- Espera, vou ver!
(Alguns minutos depois) - Tem não, Marques!
- Ah, que pena! Acho que derreteu!
- Vai tomar no cu!
Os shows só começavam depois das 22 horas, então era obrigação de todo mundo ir pra missa, já que essa começava às 19h30m, pontualmente. Só depois do sermão do Padre Delorizano, na igreja matriz, é que íamos ao encontro dos amigos.
Os grandes shows, antigamente, eram realizados na quadra do colégio Mileno Ferreira, o Estadual, ou na quadra da AABB (até hoje).
Faltando uns 30 minutos para o show, ficávamos na Praça da Bandeira, conversando, rindo e, claro e evidente, olhando as qualidades das meninas que estavam indo pro forró! Essa observação era um ponto muito importante para definir a qualidade do show!
Não demorava muito e já estávamos lá na porta da AABB, animados e muito agitados. Era uma emoção que não se pode definir, pois as palavras reduziriam e muito aquele momento!
O show estava lotado! Depois de algumas voltas no meio do povo e de tentar cantar o "carimbó do Macaco", agente parava num canto, estrategicamente escolhido, ou seja, onde tinha muita mulher bonita por perto! Ali ficávamos e se não desse certo partíamos pra outro local!
O forró comia solto, apertava aqui, apertava acolá, o suor caía pelo meio da testa, a roupa já não estava passadinha e o fungado era grande! Os olhares se cruzavam durante os rodopios e com a simplicidade matuta o sorriso escapulia.
Quando o sol nascia e o show acabava todo mundo ia para suas casas com um pensamento:
- EITA, FORRÓ BOM DA PESTE!
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