VELHAS TARDES DE DOMINGO

Marcas do Passado

Avelar Alécio

Mais um início de semana...Era Domingo!

Para minha inocência de criança a semana iniciava na segunda. Domingo seria no meu entender o último dia da semana e não o primeiro!

Sendo o último ou o primeiro na importava. Importava sim que era sempre aguardado...e como era aguardado sim senhor!

Aos domingos a “rua da poeira” transformava-se, mudava sua cara. Oxente, e rua tem cara? A nossa rua Delmiro Gouveia tinha cara sim! A sua era uma cara alegre, cheia de vigor, de companheirismo e também de dor. De dor?

Sim, de dor também porque em nossa rua, quase sempre tínhamos algumas arengas, acertos de contas de casais, elevação de ânimos dos “levantadores de copo”...terminando sempre em brigas, que não passavam de acirramento de ânimos que aos pouco arrefeciam e retornava a paz e o companheirismo tradicional.

O certo é que aos domingos, pela manhã ia-se à missa, mais tarde quando em tempo de cheias do panema, ia-se à nossa praia particular e à tarde, ah à tarde inteira tínhamos brincadeiras de crianças as mais variadas possíveis, levantamento de copos e jogos de baralho nas vendas e...algumas brigas; A alegria prolongava-se até a noite: cadeiras nas calçadas, histórias de trancoso, gostosas risadas, rememoramento de fatos acontecidos e outras loas.

A criançada descalça brincava de pega, queimada, garrafão, outros jogavam ximbra, pião, contavam histórias, jogavam pelada dentre outras saudáveis brincadeiras da infância.

Tive o prazer e a felicidade impagável de ter participado desses tempos, de ter vivido minha infância numa rua empoeirada, sem água encanada e sem energia elétrica, mas que tinha uma cara de civismo, de educação, de amor à vida e ao próximo, de religiosidade...essa rua era conhecida como “rua da poeira”!

Velhas tardes de domingo na rua da poeira..quantas saudades!

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