Viver, um grande desafio, sim, prezado leitor, este é o título do primeiro livro publicado pelo padre José Neto de França, lançado no último sábado, nas dependências da Associação Banco do Brasil em Santana do Ipanema, numa noite de autógrafos das mais concorridas, com a presença de várias autoridades, destacando-se o bispo Diocesano Dom Dulcênio de Matos a quem coube a apresentação da obra, homem culto e inteligente, que soube sintetizar para o público o conteúdo do livro, presentes também o conselheiro santanense, Dr. Isnaldo Bulhões e sua esposa, Prefeita Drª. Renilde Bulhões, que tão bem falou do livro ora lançado, o padre Adauto Alves, pároco de Senhora Santana, que soube no momento traduzir sua alegria a comunidade, dentro do espírito do livro, e num momento de arte, ficou a cargo do padre cantor Antônio de Pádua, de Jacaré dos Homens, que, com sua voz maviosa e doce, musicou três poemas do livro Viver, um grande desafio.
Quanto ao escritor, Pe. José Neto, Administrador da Paróquia de São Cristóvão, traçou o perfil de sua obra, dizendo-se que passou mais de uma década com o livro pronto, esperando uma oportunidade para lançá-lo na praça, até chegar o dia, o padre estava radiante, lhe era uma noite diferente. A sociedade santanense acorreu ao seu convite, não faltando o deputado Federal Givaldo Carimbão, que enalteceu as qualidades do padre escritor, dizendo que aquele era a marca de um começo de outros que certamente haverão de vir.
Li toda a obra, caro padre escritor José Neto de França, haja vista prender o leitor do começo ao fim, constitui-se num florilégio de prosa e verso, ambos de cunho, filosóficos, teológicos e religiosos, enfocando a morte não como tema apologético, escatológico, mas como sinal de ressurreição. Viver, um grande desafio, ser, ser, ser, este é o nome exato do livro, parece ate uma onomatopéia, porém não o é, pois se trata de uma obra de muitas interrogações e poucas respostas, deixando o leitor sem entender onde o autor quer chegar e quer demonstrar, o quê e para quem? O porquê da vida e o para que da morte sempre interrogou os homens de todos os tempos. Lembre-me até, de uma trova que escrevi há alguns anos, assim: “a vida tem seus mistérios/ que os homens não compreendem/ uns não querem entender/ outros querem, e não entendem”.
A parte poética é composta de versos brancos, sem rimas, haja vista, fundamentar-se no campo teológico ambas poesias, situam-se em campos profundos, carecendo de bons conhecimentos do leitor para chegar a compreender, não é um livro para todos leitores, dada sua profundidade, pessoas com pouco embasamento cultural e até teológico, lêem a obra, e não compreendem, sem ser crítico literário, diria que, se a obra fosse a Bíblia, o livro seria o Apocalipse, não pelo conteúdo que encerra, mas pela complexidade que domina.
Lembrei-me de O príncipe, do francês Antoine Sant Exupéry, de Utopia, de Thomas Mourus, ou mesmo dos Lusíadas de Camões. Viver: um grande desafio, ser, ser, ser, uma coisa, meu padre escritor José Neto, compreender seu livro, este sim, é um grande desafio. Como padre você demonstrou muito conhecimento. Oxalá, pois, que seus paroquianos compreendem sua mensagem, e a ponham em prática, outro grande desafio... Existem obras que nós lemos e as entendemos de imediato, outras, sentimos dificuldades, e outras que não entendemos, eu me situo no segundo pólo, diante de seu majestoso trabalho literário, senti-me pequeno. Continue escrevendo, talento você tem, sei, contudo, padre, que os paradoxos abordados viver e morrer são difíceis de se encontrar em uma linguagem sem metáforas para se passar para o povão, meu padre, ou então usar esta bela sinédoque: com os olhos no horizonte do tempo, perscruto a beleza de seu coração...
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