OTIMISTAS, REALISTAS OU PESSIMISTAS?

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Lúcia Nobre

Vivenciamos um tempo conturbado em nossa história. Será que “Deus está morto” como pronunciou Nietzche? Ou será que Deus é culpado dos acontecimentos desastrosos em nosso mundo tal canta Gabriel pensador? Ou ainda, segundo, Gauguin “Deus não repousa jamais”?
O que vemos é um ser incompleto que caminha sempre no caminho inverso. Vamos culpar a todos ou tentar recuperar o perdido? Sugere Maquiavel: “temos o poder de mudar as coisas”. E por que não as mudamos para melhor? O filósofo diz que: “para conhecer o poder tem que saber a verdade de todas as coisas”. Mas não precisamos conhecer todas as verdades para discernir o certo do errado. Mesmo porque, não existe uma verdade absoluta; se nossa sensibilidade aflorar para o que acontece ao redor, poderemos sim, tentar modificar o mundo.
Se, temos esse poder, teremos de ser bons e justos, no pensamento de Maquiavel. Devemos ser como Hamlet, digo, personagem maior de Shakespeare, ainda que em momentos angustiantes pede “moderação em tudo; pois mesmo na torrente tempestade, eu diria até no torvelinho da paixão, é preciso conceber e exprimir sobriedade – o que engrandece a ação”.
Nada nos impede de sermos grandes em nossas ações. Se, temos o poder de mudar as coisas, moderemos impulsos gananciosos e procuremos a verdade que nos propõe o amor à simplicidade das coisas. Quem sabe, assim, conquistemos a felicidade de observar os lírios do campo que nem tecem nem fiam, mas se vestem de tão grande beleza. Não sejamos como nos falam os versos de T.S. Eliot “nós somos os homens ocos” e sim adotemos os de Manuel Bandeira: “eu quero o sol na tua poesia e na dos teus amigos”. Exemplo de otimismo do poeta, mesmo sendo ele, um homem que lutou sua vida inteira contra a tuberculose.
Como forma de suportar o sofrimento e encontrar conforto para a dor de viver e pelo fato de “ser e estar no mundo”, apelemos para a sabedoria e poder da arte. Ela tem o poder de transformar e o artista brinca com essa possibilidade. Shakespeare não nos tornará melhores nem piores, mas pode ensinar-nos a aceitar a mudança em nós mesmos. Posteriormente, pode ensinar-nos a aceitar a mudança em nós mesmos e nos outros e talvez até a forma final de mudança. E com certeza sabemos que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

Matéria publicada em 01/10/2006

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