O conhecimento gerado pelos fantásticos avanços do Projeto Genoma Humano propiciou o desenvolvimento de uma rica tecnologia que está permitindo a reconstrução da história evolucionária da espécie humana, desde o seu aparecimento há 150.000 anos. (Wikipedia - The Free Encyclopedia).
Cada ser vivo que habita a terra possui uma codificação diferente de instruções escritas na mesma linguagem em seu DNA. Estas diferenças geram as diferenças orgânicas entre os seres vivos.
Com o estudo do DNA ( Deoxyribonucleic acid ), hoje se é capaz da identificação do rastro de uma pessoa ou qualquer ser biológico em qualquer lugar do mundo.
No DNA, está implícita a programação de um ou mais caracteres hereditários, como: a cor dos olhos, da pele, dos cabelos etc.
Os estudos contemporâneos indicam que no futuro bem próximo o DNA indicará toda informação hereditária dos seres vivos, incluindo as citadas, mais ainda, todo tipo de doenças hereditarias do ser humano, tipo emocional, inteligência, agressividade, sexualidade, gosto, preferencias etc.
Aonde quero chegar com “minha confraria”. Confraria: conjunto de pessoas da mesma categoria, com os mesmos interesses ou com a mesma profissão, e eu aqui metido a besta querendo discorrer cientificamente sobre DNA e genoma humano.
Como Deoxyribonucleic acid define os caracteres dos seres vivos, a natureza humana faz com que os mesmos se agrupem por interesses comuns. Por força dos caracteres do meu DNA, acredito, quero aqui ponderar sobre meus grupos de interesses. Esteja onde estiver, procuro pessoas que comunguem do meu pensar e agir. Estando na cidade de Maravilha, me agrupo com amigos ou pessoas que gostem de cavalgar, um bom papo em uma mesa de bar, caçar, jogar buraco, entre outros. Em Santana, faço parte do composto “grupo do reencontro”. Em Maceió, tenho diversos grupos. Um que gosta de pescaria em alto mar, outro de uma boa caminhada logo cedinho na beira mar e o último que nos encontramos para degustação de uma boa comida e bebida em uma mesa de bar ou mesmo num boteco. Quase sempre com um jogo de “porrinha”, bozó ou somente um bom papo jogado fora. Infeliz ou felizmente não pertenço a nenhuma corporação de intelectuais, religiosos, músicos, políticos, jogadores de gamão, viciados etc. Nada contra.
Gostaria de me reportar a esse último grupo, o de mesa de bar. Formamos uma plêiade de uns 25 homens, como bem diz Márcio, meu irmão, freqüentador eventual, é o “clube do bolinha”. Faixa etária dos 30 a Deus sabe quantos. Temos empresários, professores, delegado de policia, oficial da PM, ambulantes da orla, profissionais liberais (contador, médico, pescador, barraqueiro, aposentados, violeiros etc.). Quase que Invariavelmente, toda sexta-feira, ao meio dia, nos encontramos em um lugar previamente marcado. Um dia um leva uma peixada, outro dia alguém aparece com arroz de carreteiro. Já comemos buchada (Mindinho, meu irmão, já me enviou várias; inclusive conhece o grupo), mocotó, feijoada, espinhaço de porco, (cozinha gaúcha), cozido, churrasco, quibe cru, pato, pituzada, galinha velha, tatu, jacaré, arraia e por aí vai. Só falta eu dar uma cagada para meus amigos comerem... Se não gostarem, nunca mais cágado pra eles. Temos uma promessa de uma mussunzada (cobra de rio), trazida do bar do vento, de Passo de Camaragibe.
O dono do local fica contente, pois ganha na conta da bebida. Será que é pouca?... Claro que a degustação da comida e bebida é salutar, mas, o mais importante é o bom humor e a energia do grupo.
A nossa confraria é uma lavagem e um descarrego na vida cotidiana. Vão embora a tristeza, os problemas e as amarguras. Chego em casa leve, sorridente, pronto para outra balada com a esposa. É, sim, uma confraria eterna e divina, onde não existem cobrança, modas, manias, pressão, vícios, interesse escuso ou malfazejo. Melhor que um encontro desses só minha família e a participação em uma missa. Ah! O encontro com Deus é imaginavelmente incomparável. É encontro com a fé. Só Ele para cuidar da nossa alma e do lado espiritual.
Antes de a birita “pegar”, os assuntos são sérios, polêmicos, centrados em temas do momento, Depois vêm os banais, sem nexo, piadas, charadas, futebol e política (quanta discussão tola!), gargalhada, porrinha etc., fruto já da cachaça mesmo. Só os biriteiros sabem o que é uma boa mesa de bar. Assumo: é uma sexta-feira desregrada, sacana e libertina... Porém, tudo em clima de respeito mútuo. Sem concorrência, preterição ou outro comportamento de quem não tem caráter. Conheço e sei onde moram quase todos, inclusive, com alguns mais íntimos, existe amizade envolvendo as famílias. Apesar de ser um grupo irreverente e anárquico, é também de paz, de boa índole e de bem com a vida! Somos felizes!
Sobre felicidade, disseram: Mahatma Gandhi - “Para ser feliz é necessária harmonia entre o que se pensa, se fala e se faz”; Pe. Marcelo Rossi – “A maior vocação do ser humano é ser feliz! Cada um busque a sua, ao seu modo e livre arbítrio”. Porém, acrescento, ninguém é feliz sozinho. Jorge Luis Borges – “Nunca perca o agora! Mesmo porque, nada me garante que estaremos vivos amanha de manhã. Só na alegria existe vida. Viva cada dia como se fosse um prêmio”; continua ele – “Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério... Teria mais amigos!”. Aí eu, Mozart, digo: “prefiro ser pobre e ter meus amigos ricos e ou pobres, que ser rico e não os tê-los de forma alguma”. Penso ainda: ‘prefiro jogar e perder, que andar com o dominó ou baralho debaixo do braço sem ter com quem jogar”.
Voltando ao DNA, é ele o responsável por, em uma casa com muitos filhos, o pai ou a mãe afirmar que não tem um igual ao outro. Eu sou assim: possuo uma codificação diferente de instruções escritas no meu DNA. Sou verdadeiro, diferente! Sou feliz! “Prefiro ser um pecador, a um hipócrita”. “E a vida é bela, seja como for...”, assim diz a música de carnaval. E badadi e badadá!
Sim, retornando, de novo, ao DNA e genoma humano eu... eu... quero dizer.... ... eu acho que.. ...que o DNA e o genoma... ...genoma, DNA...
Minha gente!... ...e eu sei ou entendo lá dessas coisas!!
Maceió - Al, Junho/2006
Matéria publicada em 25/06/2006
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