Por uma mera coincidência, e lá estava eu apreciando com surpresa o antigo ateliê do grande mestre da costura o Sr. Juca alfaiate. Acariciei a velha máquina de costura e fiquei a imaginar em décadas passadas ele ali a pedalar constantemente suas encomendas, em seguida já parecia que eu escutava o barulho suave do motor da máquina já em épocas mais modernas substituído para dar mais conforto e rendimento ao trabalho, então olhei para a overloque e pensei na qualidade dos acabamentos de suas peças.
Que lugar aconchegante.
E vivendo aquele momento com um grande entusiasmo, envolvida pela simpatia de sua
Filha Luciana que me mostrava com orgulho os inúmeros diplomas de seu pai, ali pendurados na parede os quais me despertou grande curiosidade, ela agora me apontava á porta a direita que fora trocada explicando que foi a única mudança feita no ateliê, naquele instante a minha mente voou para alguns anos atrás e eu me lembrei de que costumava passar por ali e já tê-lo visto concentrado no seu trabalho..
Considerado o melhor ALFAIATE de toda região ele conquistou clientes de muitas localidades diferentes, juntando a sua perfeição como profissional á sua grande simpatia, o seu largo sorriso sua meiga cordialidade.
Luciana levanta o antigo ferro de passar e sugere que eu o tome nas mãos para que possa sentir o peso.Em seguida seu olhar se entristece num misto de saudade, e como que fugindo da nostalgia ela me indica a sala de visitas e eu a sigo para olhar as inúmeras fotografias.
E ali estava ele jovem, bonito, cheio de vida, dançando com sua esposa, que agora dentro desta realidade se encontrava no final do corredor, apesar de ainda se conservar bonita com os traços dos anos passados eu fiquei a imaginar se o seu olhar distante estava a buscar a lembrança do seu amigo, companheiro, pai de seus filhos, o seu amado esposo, e se ela estava achando a casa solitária apesar de viver no aconchego dos seus filhos, netos e amigos, então pensei... que família bonita....
Fiquei imaginando se sua neta Jaqueline havia herdado tanta doçura e meiguice de seu avô ou mesmo da própria mãe e vice-versa.
Continuei olhando as fotografias e não me cansava, comecei a lembrar das belas referencias que já tinha ouvido falar deste grande homem, grande mestre e profissional que segundo meu esposo o melhor para cantar SERESTAS, apreciador das mesmas e o único a possuir a maior coleção de músicas seresteiras, e então guardei dentro de mim uma tristeza pois deixei de ter no guarda roupa um terno feito por Juca Alfaiate que meu esposo me pediu que eu providenciasse e deixei para depois.
Ao sair dali senti um enorme vazio por ter perdido a oportunidade de conhecer aquela grande figura, então naquele momento eu prometi para mim mesma, vou fazer uma surpresa para Jaqueline que trabalha no CAPS e nos trata com tanto carinho, vou preparar um artigo para homenagear o avô dela, grande amigo grande PAI.
Para ver no rosto de Jaqueline, um largo sorriso.
Santana do Ipanema - Dezembro/2006
Matéria publicada em 11/02/2007
HOMENAGEM A JUCA ALFAIATE
Outras Peças LiteráriasClaudete de Araújo Barros Acioli(usuária do CAPS ) 27/05/2007 - 20h 58min
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