DOIS QUADROS E UMA PONTE

Reflexões

Maria Aparecida Silva dos Santos

A morte e a vida se retratam em duas imagens explicitadas numa mesma paisagem.
De um lado, pedras, pedregulhos, grandes lajeiros, lixos, água suja, uma triste imagem.
Do outro lado, belas águas, ainda que poluídas, planície, limpeza, muita areia, uma beleza de barragem.
Uma ponte no meio separa as duas realidades. Veja o quadro, que beleza ou tristeza nesse lugar são retratados.
O lado esquerdo expressa perigo olhando do alto. Não dar para pular, se alegrar, festejar, comemorar. Só se percebe dureza, mas tudo é existência, é criação, é grandeza.
Dois quadros e uma ponte, a vida e a morte separadas por uma linha firme e forte. Num lado a água que representa a vida; um local ideal para a construção de um parque aquático, um campo de lazer.
O outro lado contempla uma existência que não expressa prazer.
Assim é a ponte da barragem, dois quadros e uma ponte.
As águas representam uma grande e indispensável riqueza, mas precisam de purificação, há muito lixo, sujeira, impureza, tudo é poluição.
A barragem podia ser a nossa praia e nossa diversão. Domingos e feriados, famílias e amigos vivendo uma mesma emoção.
Precisamos cuidar do que é nosso, limpar, preservar, despoluir, não agredir, sensibilizar a população.
O lado das pedras não podia ser tão negro. Não ter tanta sujeira, não expressar morte e medo.
É uma realidade, é uma outra existência. Pode não servir de fonte de lazer, pois não expressa prazer; mas é a natureza expressa na mais singela beleza que somente os sábios são capazes de ver.
Vida e morte. Água e pedra separadas por uma estrutura de ferro, terra e cimento tornando a paisagem um ponto turístico, hoje e ontem.
A barragem: dois quadros e uma ponte.

Matéria publicada em 01/10/2006

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