Eu me lembro, eu me lembro,
Era pequena.
Corria na praça
De Santana do Ipanema.
Praia não existia.
Seu Marcelon olhava,
A meninice sacudia
A criança que, com pressa,
Mais tarde pediria.
O Tonho perguntava
A criança que corria.
De coco ou de maçã?
Seu Marcelon espiava
Dona Zenaide atendia.
Eu me lembro, eu me lembro,
Era pequena.
Como corria a criança na praça.
O rio secava.
Outra criança pequena,
Essa já trabalhava.
A ancoreta no burrinho,
Ela também perguntava.
Da macela ou do panema?
Eu me lembro, eu me lembro,
Era pequena.
Da criança que corria,
Da criança do jumento,
Ela também sorria.
Do panema ao monumento,
A que vendia água,
A que vendia carvão,
A criança do meu tempo,
Nas terras do meu sertão.
Maceió-AL, março/2007
Poesia publicada em 05/03/2007
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