AS BRINCADEIRAS DE “OURIBUSCA”

Histórias Engraçadas

Remi Bastos

Gostaria de dedicar esta História Engraçada a todos os amigos que participaram comigo desta página linda da nossa adolescência, são eles: Benedito Cego, Nego Carlos, Moreira, Paulo, Pepita, Neilton, Rui de Maria Arsênio, Mané Banquinho e Isac (ambos, os líderes), Tamanquinho(?), Cizinho, Zé Piolho, Roque, Pitota, Newton Ricardo, Sílvio de Jandira, Capiá(?), Chico Soares, Durval, Zé Oiela, Zé Francisco de Júlio, Enoque (Nequinho), Deca, Mané da Burra Magra, Plínio, Nego Odilon (irmão de Sapo), Ivan El Toro e tantos outros.


.... Viajando no túnel do tempo, fiz uma parada nos meados dos anos cinqüenta em minha querida e inesquecível Santana do Ipanema. Lá estávamos nós, cotidianamente na Avenida Nossa Senhora de Fátima, precisamente ao lado da recente construção do Tênis Clube Santanense e do terreno de Seu Abílio Pereira, em frente a nossa casa onde existia um campinho de pelada e posteriormente nas mesmas imediações, a possilga de Dona Gracira. Todas os dias ao entardecer a turma do passaporte livre se reunia em frente a igrejinha para traçar os planos da brincadeira. Geralmente era definida como a turma de Isac e a turma de Mané Banquinho, em que, inicialmente cada líder escolhia os seus soldados. Após dividirem os grupos, o que coincidentemente na maioria das vezes se repetiam e definir através do par ou ímpar a equipe que ficaria na manja, seguíamos para um poste (a manja) ao lado do referido campinho por trás do Ginásio, para o início da brincadeira. Sempre coincidia de ficarmos na turma de Mané banquinho, eu e Benedito, raras vezes nos dividíamos, sempre eram dez ou doze para cada grupo. O grupo de Mané Banquinho foi o primeiro a sair, ganhamos no par ou ímpar. Segue a turma aos pares, cada um tomando as suas posições de esconderijo os quais compreendiam o cercado de Seu Abílio , Zé Ilias, Antonio Vicente e o serrote por trás da AABB. Partimos, eu e o Biu, lá do alto gritamos algumas vezes “Tá na hora!”
A turma de Isac partiu atrás deixando dois ou três, às vezes, somente um no poste para evitar que alguém tocasse à manja. Cada elemento preso (teje preso!) ficaria na manja (poste) e os que conseguisse tocá-la e gritar “guerreiro!”, permaneceria na situação de fuga, isto é, se juntaria ao grupo que partiria para os esconderijos. Eu e Benedito Cego fomos encurralados por três ou quatro elementos nas imediações do cercado de Seu Miguel Bulhões. A alternativa que tivemos foi correr para a casa do Biu e lá nos entocamos no quarto, não havia ninguém em casa, Dona Solidade, mãe do Benedito tinha viajado para o povoado Piau no município de Olhos D'água das Flores. Nos trancamos no quarto enquanto os inimigos nos aguardava do lado de fora num silêncio catacumbal. Após duas horas de exílio, falei seriamente para o Biu, eles já foram embora, inclusive chamamos por seus nomes: Nego Carlo, Moreira, Roque, Zé Piolho e não se ouvia resposta. Vendo que o terreno estava limpo, embora sob minha desconfiança, Benedito resolveu abrir a porta do quarto, ele na frente e eu atrás. Quando o amigo pôs a cabeça pra fora foi agarrado e puxado, ainda dei uma forcinha para que eu pudesse fechar a porta do quarto. Arrastaram Benedito aos gritos e reclamações: Me acuda ne-nego covarde! Tempo depois, certo de que não havia mais ninguém ali, decidi sair livre como um passarinho. Desci pela estrada íngreme entre o cercado de Seu Miguel Bulhões, a casa de Seu Antonio Delfino (pai de Gaspar e Beinha) e o cercado de Seu Abílio Pereira, lá adiante amarrado a um juazeiro estava o Benedito todo sujo de areia e urina humana (mijo). Fingi que estava cansado e falei: vim correndo a sua procura, pensei que tivessem lhe deixado na manja. Mas a resposta do Biu foi: “Ne-ne-nego fia da puta, me de-desamarre que tô-tô cheio de-de mijo”. Fomos cada um para a sua casa e no dia seguinte começamos tudo outra vez. Tempo bom que não volta mais.

Aracaju-SE, 14.12.06

História publicada em 01/01/2007

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