APELIDO NÃO É ALCUNHA, MUITO MENOS COGNOME. PODE SER EPÍTETO.

Fábio Campos


Dedico esta crônica, ao confrade e amigo, Luiz Antônio de Farias “Capiá”.

No apagar das luzes de setembro, nosso amigo Capiá [ASLCA – Academia Santanense de Letras] completou idade nova. Portanto, resolvemos homenageá-lo, compondo-lhe duas poesias. Duas Décimas que compartilhamos no grupo da academia. [também aqui, anexo]. Na ocasião, o amigo agradeceu, e confessou-se satisfeito, tanto que resolvemos “esticar“ a homenagem. Mais especificamente pra esse espaço, de colunista, colaborador como cronista, aqui, e noutros sites informativos do sertão de Alagoas.

Apelido, é uma coisa interessante. E é também, bastante polêmico. Há quem goste. Mas só se for nos outros. Sendo em si mesmo, acha detestável! Tem apelidos carinhosos; tem os pejorativos, tem os depreciativos, tem os de família. Tem os de grupo de amigos; adquiridos no trabalho. Tem os que são colocados em determinada fase da vida: infância, adolescência, e até na idade adulta. E que vai acompanhar o dono pro resto da vida, e mesmo, depois da morte. O indivíduo já partiu, dessa pra melhor, e o apelido ficou.

Se já não existe, alguém deveria já ter criado, um tratado, um ensaio, um manual, sobre apelido. Algo que estabeleça regras, normas etc. Aliás, acho interessante esclarecer, a diferença entre: Apelido, alcunha e cognome. Vamos lá.

“APELIDO; substantivo masculino; Do Latim: “Appellitus” chamado de; ou nomeado. Nome que se baseia numa qualidade de alguém, geralmente depreciativa; Nomeação que expressa uma particularidade de alguma coisa; nome usado no lugar do nome próprio. Fonte: dicio.com.br”

“ALCUNHA; substantivo; do Árabe: “Al kunya” designativo de um grupo de pessoas; um povo; epônimo: nome de animal, planta; topônimo que se acrescenta ao nome, como sobrenome; qualitativo especial que os reis [Período Medieval] davam as vilas e cidades. Fonte: Bing.com”

“COGNOME; substantivo; Do Latim “Cognomen”, Plural: “Cognomina”; vem de: “co” = “junto” e, (g)nomen = nome, o terceiro nome pelo qual um cidadão romano era conhecido de acordo com a antroponímia romana. Espécie de divisão em classes sociais, castas, dinastias. Fonte: Wikipédia.org.br”
Vamos ver com exemplos, fica melhor de entender. Seriam APELIDOS: Pelé [Edson Arantes do Nascimento]; Chacrinha [Abelardo Barbosa]; Zico [Arthur Antunes Coimbra]; Ratinho [Carlos Roberto Massa]. Seriam ALCUNHAS: “Morro [ou Complexo] do Alemão” Rio de Janeiro - RJ; “Alto dos Negros”, Santana do Ipanema-AL; “Faixa de Gaza”[“Terra dos Filisteus, povo forte.”]; galo Calcutá ou Pedrez; cachorro pastor-alemão; Melão-de-São-Caetano. Seriam COGNOMES: Alexandre “O Grande”; D. Pedro I “O Justiceiro”; Joaquim José da Silva Xavier “Tiradentes”.

Vejamos esses outros exemplos: Luiz “Lua” Gonzaga; Luiz Inácio “Lula” da Silva; Acelino “Popó” de Freitas; Maria da Graça “Xuxa” Meneghel; Roberto “Dinamite”; “Gugu” Liberato. Percebe-se aqui uma intenção clara, do detentor do apelido, de incorporá-lo ao nome próprio. São esses casos chamados de “EPÍTETO: Palavra ou expressão que se associa a um nome (ou pronome) para qualificá-lo.”
Pegando um gancho, no nome do nosso amigo e confrade, escritor: Luiz Antônio de Farias. Se incorporarmos o apelido ao nome próprio: Luiz Antônio “Capiá” de Farias. Teríamos aí, mais um caso de “Epíteto”, que o qualificaria, tirando-o assim do anonimato, ou, da multidão de homônimos que porventura exista com nome idêntico ao dele.

Alguém, em sua página do Instagram, cita que a atual geração, com relação a nossa, dos jubilados, não presta nem pra colocar apelido. E diz: “Os apelidos de hoje: “TEO” de Teodoro; “IZA” de Izabela; “MALU” de Maria Luiza. No nosso tempo, havia o “AMENDOIN” que sofreu um acidente, ficou tão quebrado que a gente mudou pra “PAÇOCA”; “ALADIM” porque se separou da mulher, ficou só com o tapete; “RADAR” porque nas baladas passou de 60, ele pegava; o “REAL MADRI”, nunca vi ter tanto dinheiro pra comprar crack; Tinha o “ROUBAR” que era irmão de “MATAR”. “ROUBAR” é feio, “MATAR” é mais feio ainda; Tinha o “AZEITE” porque era Extravirgem; tinha o “SAPO CEGO” nunca viu uma perereca. Fonte: domsincerooficial.”

Apelido é uma prática cultural no mundo inteiro. Mas brasileiro é especialista no assunto. Em tudo bota apelido. Com uma particularidade: quase sempre no aumentativo, ou diminutivo sintético: TRAPICHÃO, ARRUDÃO [Estádios de Futebol]; MINHOCÃO [Viaduto, São Paulo]; PÔDRÃO [Cachorro Quente]; RABECÃO [viatura do I.M.L.]; RUBINHO BARRICHELLO [automobilista]; MEQUINHO [famoso enxadrista]; XILINDRÓ [cadeia]; RACHA [corrida de rua]; PELADA [futebol de várzea].

APELIDOS NA BÍBLIA. Jesus diz que “o bom pastor chama suas ovelhas pelo nome [Jo-10:1-16]”. No entanto, apelidos já existiam naquela época. Tomé o “Dídimo” que significa “gêmeo”; também serviam para diferenciar homônimos. Por exemplo: Simão “Zelote” significa “zeloso” com relação à Lei Mosaica, pra diferenciar de Simão “Kefas”, que é Pedro em hebraico; Judas “Iscariotes” [provavelmente oriundo da cidade de Shikerioth] pra diferenciar de Judas Tadeu, irmão do apóstolo Tiago. Maria Madalena [o segundo nome era apelido] por ser da cidade de Magdala; José [da cidade] de Arimatéia; João “Batista” porque batizava; Herodes Antipas “Testemunha fiel”; o próprio Jesus, foi apelidado de “Nazareno”.

Outro assunto. Andam dizendo por aí que as I.As. são uma ameaça para as novas gerações. Pior! Que elas irão destruir a raça humana. A bola da vez, das fofocas, os aparelhos celulares, as novas tecnologias. É bom, irmos acostumando, com isso, de ouvir, e filtrar as informações. Pois sempre foi, e sempre vai ser assim. Desde que o mundo é mundo. A humanidade vai enxergar, primeiro o lado ruim das coisas. Quando inventaram a bicicleta, teve quem dissesse que ia “masculinizar” as mulheres, imagina! E agora que teremos, em breve, uma geração de cretinos, devido ao uso excessivo de telas. A geração de cretinos já existe, a muito, antes de Cristo. De lá pra cá, só tem aumentado. Tem até nome científico: Homus politicus; do grego: “politikós”.

UM POUCO DE HUMOR PRA ENCERRAR

DITOS POPULARES IMPROVISADOS
EM TERRA DE ANÃO, CANIVETE É FACA.
EM TERRA DE CANIBAL GRÁVIDA, É KINDER OVO.
EM TERRA DE ORELHUDO QUALQUER SUSSURRO É FOFOCA.
EM TERRA DE TRÁFICO HUMANO, ANÃO É TROCO.
PRA QUEM TEM ALZHEIMER TODA FESTA É SURPRESA.
EM BRIGA DE SACY, TODO CHUTE É VOADORA.
TEM MUITA TESTA OLEOSA, SE ACHANDO UMA MENTE BRILHANTE.
PRA QUEM NÃO TEM NADA, METADE É DOBRO.

EXPRESSÕES CHULAS TRADUZIDAS POR UMA I. A.
VAI PRA BAIXA DA ÉGUA = DIRIJA-SE A REGIÃO VENTRAL, DA FÊMEA DO EQUINO.
SEU FILHO DA PU*... = EIS QUE TU ÉS, NASCIDO DE UMA MULHER MUNDANA.
FIO DE RAPA*... = TENS COMO GENITORA MULHER FREQUENTADORA DE BORDEL.
VAI TOMAR NO TEU C*... = DIRIJA-SE A INGERIR LÍQUIDO ATRAVÉS DE TUA REGIÃO RETAL.
ISSO É UMA PÔR*... = PELO QUE SE APRESENTA, ESTAMOS DIANTE DE LÍQUIDO SEMINAL.
VÁ A MERD*... = POR GENTILEZA, DIRIJIR-SE A LOCAL REPLETO DE MATERIAL FECAL.

VIVA! OUTUBRO! SEJA BEM-VINDO. SÃO FRANCISCO DE ASSIS, ROGAI POR NÓS!

P.S. ANEXO um CORDEL PRO CAPIÁ. Criação deste Cronista para homenagear o confrade e amigo Luiz Antônio de Farias “Capiá” Nele, estão as 2 Décimas [poesias compartilhadas no gRupo da ASLCA.


UM CORDEL PRO “CAPIÁ”

Filho de Dona Aristhea e Seu Zeca
Uns Versos Vou Remedá
Na base do Improviso
Vou dizer o que é Preciso
Sobre Luiz Antonio “Capiá”

Primeiro que é bom explicá
De onde Veio o Apelido
Se ele é bem Recebido
Vamos logo Desvendá
O apelido é Fagueiro
Vem dum Bode Cachaceiro
Muito famoso no Lugar
Quem foi mesmo que botou?
Você Pode ter Certeza
Foi o Amigo Mario “Beleza”
E a alcunha Pegou.

Na Lage Grande Viveu
Em Riacho Grande Cresceu
Em Santana Foi Estudar
Cedo teve que Trabalhar
Na roça não tinha Treta
Eram quatro Ancoretas
Num Jumento e Caçuá
Trazer água do Riacho
No Sol Quente do Diacho
Com Facheiro e Mangangá.

Seguiu em frente nos estudos
Foi bancário Exemplar
Pelo Banco do Brasil
Dessa Pátria Varonil
Até se Aposentar.
Seus Pais lhes Deram 11 Irmãos
Lena, Jota e Sarapó
Ugo, Adelmo e Dorotea: “Doró”
Paulo, Ana e “Tamanquinho”
Que também escreve Direitinho
É o Shyko Farias Escritor
De Educação Física é Professor
Adelmo, Verônica e Edgard
Que mesmo com “D” Vai Rimá.

Capiá casou com Maria
Que 2 filhos foi lhes dá
Maria Luiza e Jorge Luiz
Aumenta a Família Sorriso
Porque Sorrir é Preciso
Jesus Cristo Assim lhes Diz
O Homem Bom é Feliz
Tem na terra um Paraíso!

Fazenda Lagoa do Rumo
Fica lá em Olivença
O seu Xodó o Seu Prumo
No Sertão seu Supra Sumo
Ali a sua Querença.

Recife é só Endereço
Se Vira pelo Avesso
Pois a Paixão muda a Cena
É Santana do Ipanema
A Terra de muito Apreço.


CAPIÁ é homem de Luta
Lutou pela Educação, o IFAL
A Escola Técnica Federal
Chegou com muita Labuta
Nas brenhas da Terra Matuta
O que antes era Algo Ideal
É Hoje Sonho Real!
Graças a Luta Impar
De homens, Assim feito CAPIÁ!

“Saudade o Meu Remédio é Contar”
Foi Só um “Cheiro”, Pra Começar
Pois muitos Escritos Virão
De Chapéu de Couro e Jibão
Daqui Dali, de Acolá
A gente vai Escutar
O que Ele Escreve e o que FALA
Essa Voz Que NÃO SE CALA
Do Nobre ESCRITOR CAPIÁ.

DÉCIMA AO CONFRADE DA ASLCA: “CAPIÁ”
FEZ ANIVERSÁRIO O HOMENAGEADO
O CABRA VALE MAIS DO QUE OURO
SUA MARCA REGISTRADA: É 1 CHAPÉU DE COURO
“ENTRE A MANCAMBIRA E O ALASTRADO”
O NOSSO HERÓI FOI FORJADO
O DOM DE ESCREVER VEIO NOTAR
EM “SAUDADE MEU REMÉDIO É CONTAR”
DAÍ PRA FRENTE SÓ SE EXPANDE
ESCRITOR VINDO DA LAGE GRANDE
LUIZ ANTONIO DE FARIAS “O CAPIÁ”
30/09/2025


DÉCIMA 2: AO CONFRADE DA ASLCA "CAPIÁ"

CAPIÁ É URTICÁCEA, UMA PLANTA
NASCE NO MEIO DA BAGACEIRA
SE ENCOSTÁ NELA DÁ COCEIRA
MAS A GENTE NUM SE ESPANTA
TEM O POPULAR NOME DE SANTA:
É REMÉDIO, O CAPIM-DE-NOSSA-SENHORA
PRA TUDO LHE TRAZ MELHORA
ASSIM, LER "CAPIÁ" É PRECISO
LEIA "A SAGA DA FAMÍLIA SORRISO"
CUIDE! AVIE! SE AVEXE! ANDE!
A LER O ESCRITOR DA LAGE GRANDE
LUIZ ANTONIO DE FARIAS "O CAPIÁ".

Autoria: Fabio Campos.
Décimas Publicadas no Grupo Wathsapp da ASLCA. 01/10/2025


ACRÓSTICO COM RIMA

L useiro Nos Ares Clareou
U m Facho de Luz na Escuridão
I sso veio vindo aqui Chegou
Z ás! “Fiat Lux” no Sertão.

A Chama que invade as Veredas
N oite Clara Labareda
T ocha de fogo que Inflama
Ô Breu que agora é Chama
N as Brenhas Luiz Surgiu
I nquieto Antônio Mor-Servil
O Nome, esse que a ti Conclama.

D emo-nos as Mãos
E Vamos a Luta!

F ogo Fátuo. Te convidas
A Ser Fogo-Corredor, de Ideias
R io de Lavas, Nessa Judeia
I ncendeando de Amor toda Essa Área
A ssim Desbravador, vir a ser Pária
S empre Fez, e Fará, Sempre Farias.


ACRÓSTICO DO APELIDO, COM RIMA

C ativas com teu Sorriso
A braças de Verdade o Irmão
P ra Ter Paz Tão Infinita
I sso é Pra Quem Acredita
Á Ter Deus no Coração.




















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