O REBENTÃO – Capítulo III – Cont.

Antonio Machado

“Mesmo numa noite escura, / quando estremece o trovão aí vem a recordação/ desta bela criatura/ considerando desventura, / o desprezo que lhe dei/ sem alegria fiquei, / quando vai findando a tarde/ o vento me traz saudade, / da mulher que mais amei”. Observa-se, entretanto, que o poeta não possui um aprofundamento em seus versos, mas deixa passar claramente seu amor pela pessoa amada, dentro de uma rima fácil e sem métrica, porém bonita.
O nome do poeta e político, Olímpio Sales de Barros é nome de rua, num projeto de autoria deste escritor. A seca estava tirana e assustando a todos. O Coronel Libruíno, fechara o livro que estava lendo intitulado A Bagaceira do Ministro José Américo de Almeida e marcou a página com o cachimbo, erguendo-se da cadeira com as mãos nos quartos, exclamou: eita seca da gota serena, parece que vai tudo pegar fogo. E comentou: esse escritor Zé Américo, é um escritor bom da peste, só comparo com Zé Lins do Rego, e Raquel de Queiroz, no seu livro O Quinze, ela sendo de Quixaramobim, ela descreveu a seca de 1915, que é um retrato fiel dessa de agora. Desceu a calçada da casa grande e foi até a porteira do curral, onde se encontrava Vinte e Cinco, que tinha sido cabra de Lampião e agora com o término do cangaço, vez por outra, aboletava-se na fazendo do Coronel Libruíno, que fora coiteiro de Lampião e os macacos do Coronel José Lucena que comandava a volante da polícia, sediada em Santana do Ipanema. Ao chegar à porteira, o Coronel, dirigiu-se a Vinte e Cinco e lhe disse: como foi aquele caso quando Lampião entrou em Olho d’Água das Flores? Isto aconteceu, Coronel, em julho de 1926, por volta das 10:00 horas do dia, Lampião entrara na vila, com seu bando. Foi uma correria da peste. Um cabra de Lampião, chamado Pilão Deitado, pegou uma moça chamada Adélia e a colocou num cavalo que estava no começo da rua, no Parujé, e saiu tangendo o cavalo em osso limpo até o meio da rua. E o pior, Coroné, é que a moça tava de “mané chico”, mas os cabras do capitão não buliram com ela, Lampião entrou numa casa de comércio que ficava na quadra da rua, era um sobrado (segundo andar), pertencente ao delegado Juca Feitosa, que por ironia do destino, estava em Pão de Açúcar, enquanto Lampião mandou sua cabroeira atear fogo na casa comercial. Contou-me o comerciante, Sr. Oscar Melo Abreu, homem de conceito do povoado que assistiu a cena, e cerca de mais de 60 latas de querosene foram queimadas naquele momento sinistro, e o fogo tudo consumiu, foi uma tristeza, Coroné. O cidadão Francisquinho Anastácio Silva que residia em Pedrão era proprietário de um “come em pé” (espécie de pequeno hotel) na vila, e convidou Lampião para sua casa. O hotel ficava na continuação da rua do comércio, a princípio Lampião ficou meio cabreiro, cismado diante do convite, contudo, aquiesceu, vendo em Francisquinho Anastácio, o perfil de um homem de bem.

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