Olímpio Sales de Barros era poeta nato, mesmo sendo autodidata, animava sempre o ambiente em que estava, político da finada UDN (União Democrática Nacional), tendo tomado parte ativa na emancipação política de Olho d’Água das Flores, elegendo-se vereador, cargo que se repetiu por várias vezes, sendo Olímpio, orador de improviso, face sua verve política. A seca de 1970 estava causando muitas dificuldades para o povo. Um grupo de estudantes do Colégio Cenecista montou um festival de música e poesia centrado na seca. Então os estudantes foram a casa do poeta Olímpio Sales, que ficava na Rua da Assembleia, 59, e lhe deram um tema assim: “o tempo está seco e ruim/, e a chuva não quer chegar”, e pediram que o poeta escrevesse alguma coisa sobre o tema proposto. Dias depois a turma voltou para apanhar o trabalho, que eventualmente o poeta teria feito, e quando apresentado no festival, arrancou calorosos aplausos da plateia, cujo festival foi realizado no cine Trianon de propriedade do cidadão, Juvenal Abreu, sendo a única casa de espetáculo da cidade na época, hoje engolido pelo avanço tecnológico do vídeo, DVD e da televisão. Consegui ainda há muito custo resgatar uma estrofe do trabalho do ilustre poeta que diz assim: “no fim de 69/ ainda estava chovendo/ muita gente já dizendo, 70 sei que não chove, o que é que se resolve/ se a trovoada falhar/ eu aqui não vou ficar/ porque não dá jeito para mim/ o tempo está seco e ruim/ e a chuva não quer chegar”. Já foi dito que Olímpio Sales foi um homem grande para o seu tempo, como poeta, cantou em versos e prosas, a política de sua terra podendo ser cognominado de “o poeta das eleições”. Em uma das vezes que Dr. Arnon de Melo se candidatou para senador do Estado, Olímpio Sales (1910-1975) correligionário do candidato, assim o exaltou: “o eleitor do sertão/, sem que passe no cutelo/ mas votem em Arnon de Melo/ e acho que tem razão/, porque arroz e feijão/, só ele foi quem mandou entre os mais governadores/ que já teve o nosso Estado/ por isso é bem empregado/ que Arnon seja senador”. Olímpio Sales, gabava-se de nunca ter ido ou frequentado uma escola, mas lia muito bem e escrevia regular, com sua inteligência e memória arguta, guardando com facilidade grande quantidade genuína de significado das palavras, facilitando sua conversa. Dizem que os poetas são muito sensíveis ao amor e Olímpio não fugiu à regra, casou com Maria Barbosa Barros (Dona Dôra), talvez tocado pelos estigmas do cupido deixou estas estrofes escritas, que as recolhi, tendo como tema: Só o vento me traz saudade/ da mulher que mais amei, “quando às vezes estou sozinho,/ vou recordando o passado/ hoje tão distanciado/ sem acertar o caminho,/ até mesmo seu carinho/ que não sei porque deixei,/ mas depois que meditei,/ vi que tudo era debalde/ só o vento me traz saudade/ da mulher que mais amei”. É uma décima carregada de incertezas, quando o autor não revela sua musa inspiradora.
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