Aos nossos mestres do passado e do presente
Quando o velho carrilhão da matriz martelou as sete horas da noite, apressei o passo. A prova de matemática do professor Eli me aguardava no Colégio Estadual, e eu não queria chegar atrasado. O coração já batia acelerado, não apenas pelo vestibular que se aproximava, mas pelas dúvidas sobre qual caminho seguir e as incertezas do futuro.
O centro da cidade estava quase deserto. O Cine Alvorada exibia cartazes desbotados de filmes que já haviam saído de cartaz, e a praça guardava alguns homens em conversa lenta, como se o tempo não tivesse pressa. O vento trazia o cheiro doce da pipoca misturado ao incenso da matriz. Na barraca de cigarros e doces, o vendedor aguardava sua clientela e eu me sentia parte de uma coreografia invisível que unia o sagrado e o cotidiano.
No alto-falante da matriz, o canto gregoriano em português ecoava solene. Eu quis parar para ouvir, mas segui adiante, prometendo a mim mesmo que um dia pediria ao padre Cirilo o long play para gravar em fita cassete. O relógio da igreja com seus ponteiros lentos parecia zombar da minha pressa.
Ao entrar no colégio, encontrei meus colegas em diferentes estados de espírito: Cláudio folheava o caderno como se ainda houvesse tempo para aprender; Abdon mordia o lápis, nervoso; e Estela, ria alto, tentando disfarçar o medo. Essa diversidade me ensinava que cada um carrega sua própria forma de enfrentar os desafios.
O professor Eli, com sua calma habitual, arrumava os papéis sobre a mesa. Seu olhar sereno parecia dizer que a matemática não era inimiga, mas a ponte para compreender o mundo. Quando distribuiu as provas, o silêncio da sala foi quebrado apenas pelo ranger das carteiras e pelo som das folhas viradas.
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LiteraturaJoão Neto Felix Mendes - www.apensocomgrifo.com 19/10/2026 - 10h 15min Reprodução www.apensocomgrifo.com
Colégio Estadual Professor Mileno Ferreira
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