A gastronomia sustentável é uma ferramenta capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico, preservar a cultura alimentar e fortalecer a agricultura familiar. Essa foi a principal mensagem da chef e consultora gastronômica Larissa Maçaneiro durante a palestra “Raízes que Alimentam: Gastronomia Sustentável e Desenvolvimento Local”, realizada na comunidade quilombola de Jussarinha, no último dia 03 de Junho, em Santana do Mundaú (AL).
Num ambiente de troca de saberes, Larissa buscou, primeiro, entender como as mulheres do quilombo lidavam com os insumos que a agricultura local produz em abundância. A região tem boa produção de laranja, mandioca, jaca, milho verde, feijão verde, quiabo, maxixe, leite fresco e peixes — que podem se transformar em oportunidades de negócios, agregando valor à produção e fortalecendo a identidade do território.
“Não precisamos buscar riqueza fora do território quando ela já existe dentro dele. O desenvolvimento começa quando reconhecemos o valor dos alimentos, dos saberes e das pessoas que produzem essa riqueza todos os dias”, afirmou.
A consultora então passou a exemplificar como a gastronomia sustentável vai além da cozinha. Ela envolve o aproveitamento integral dos alimentos, a redução do desperdício, a valorização das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Diante dos desafios crescentes em relação a produção de alimentos, o tema ganha cada vez mais relevância no cenário mundial. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de um terço dos alimentos produzidos no planeta é perdido ou desperdiçado. Para Larissa, investir na produção local e no uso inteligente dos ingredientes é uma das respostas para esse desafio.
"Quando agregamos conhecimento, técnica e identidade aos ingredientes locais, eles deixam de ser apenas produtos agrícolas e passam a contar histórias. É isso que faz a gastronomia gerar desenvolvimento", ressaltou.
A chef também apresentou exemplos de ingredientes que conquistaram novos mercados a partir da inovação, como a jaca, que é abundante em todo o estado de Alagoas, hoje valorizada na gastronomia vegetariana e funcional. Segundo ela, alimentos abundantes em determinadas regiões podem se tornar produtos de alto valor agregado quando aliados à criatividade, à técnica e ao respeito pela cultura alimentar.
Mais do que uma tendência, Larissa defende que a gastronomia sustentável representa um modelo de desenvolvimento capaz de gerar renda, preservar tradições e criar oportunidades para agricultores familiares e pequenos empreendedores.
“Sustentabilidade também significa manter as pessoas no campo com dignidade, fortalecer a agricultura familiar e valorizar aquilo que faz parte da identidade de cada comunidade. Quando reconhecemos o potencial do território, fortalecemos toda a cadeia produtiva e construímos um futuro mais sustentável”, concluiu.
Ao conectar conhecimento técnico, inovação e valorização dos saberes tradicionais, a palestra reforçou que o desenvolvimento local pode começar pelos alimentos que já fazem parte da história e da identidade de uma comunidade.

Larrisa Maçaneiro identifica oportunidade de novos negócios para a comunidade, através do uso da Jaca na produção de alimentação vegana

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